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Como podem existir lobisomens em um país onde não existem lobos? Nosso único representante entre esses canídeos seria o Lobo Guará, mas o animal nada tem a ver com um canis lupus europeu. Mais do que isso, as representações contemporâneas de um lobisomem guará são obras reimaginadas por artistas, mas nenhuma narrativa conta sobre uma criatura com essa aparência.
Em verdade, o lobisomem brasileiro tem muito pouco de lobo. E essa tradição tem grande relação com as versões do mito que vieram de Portugal. Em 1820, no livro Tradições Populares de Portugal, J. Vasconcellos recolheu inúmeras versões sobre os híbridos entre homem e fera – e várias delas inclusive conflitantes. Entre as histórias registradas, temos lobisomens lobo, cachorro, porco, bezerro e até mesmo pato.
Por aqui, representações notórias de lobisomem falam dele como sendo um grande cachorro de pelos duros, que anda com o quadril muito arqueado. Outra característica são as longas orelhas que, quando o monstro corre, estalam com força, indicando sua presença. O amaldiçoado que assume essa forma pode ser o sétimo filho homem depois de sete homens ou mesmo alguém atacado por um lobisomem.
Em Portugal, o lobisomem também é apenas uma das espécies de monstros híbridos com humanos. O eixo em comum que os une é sua maldição, ou fado. Após a transformação, os seres devem correr por sete freguesias, sete praças, sete igrejas e sete cemitérios. Por vezes o número não está presente, mas a sina desses amaldiçoados é correr pelos caminhos atacando e devorando. É por isso que é bastante comum o uso do termo “correr o fado” em Portugal para se referir a maldição das criaturas.
Além dos lobisomens, Tardos e Corrilários também correm o fado pelas terras lusitanas. Os tardos são crianças amaldiçoadas quando o padrinho, durante o batizado, não disse as palavras certas. Quando o fadário se manifesta, o Tardo se transforma em animal: cão, gato ou até mesmo cabra e vive nas encruzilhadas onde tenta atordoar as pessoas urinando em suas pernas. Se durante sete anos sua maldição não for quebrada, o tardo se transforma em lobisomem – e só então come gente. Já os corrilários são almas penadas que aparecem na figura de um cão. Se a pessoa morreu abruptamente de morte violenta, retorna como corrilário e vive os anos que ainda teria de vida como amaldiçoado.
LOBISOMEM CACHORRÃO
Pontos de Força:
Pontos de Vida:
Tipo:
Elemento: Noite
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista:Eduardo Ferigato
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Apesar do seu nome, o lobisomem brasileiro tem muito pouco de “lobo”. Nossa tradição tem lastro ibérico, em que é comum encontrar histórias de lobisomens que se transformam em animais de fazenda. São híbridos de homem com cachorro, porco, bezerro, touro, jumento e assim por diante.
No país europeu, o lobisomem também é apenas uma das espécies de monstros híbridos, mas existem outras. O eixo em comum que os une é sua maldição, ou fado. Após a transformação, os seres devem correr por sete freguesias, sete praças, sete igrejas e sete cemitérios. Por vezes, o número não está presente, mas a sina desses amaldiçoados é correr pelos caminhos atacando e devorando. É por isso que é bastante comum o uso do termo “correr o fado” em Portugal, para se referir à maldição das criaturas. Ou, ainda, dizer que eles devem “cumprir um fadário”.
J. Vasconcellos, já em 1820, registrava as versões de que o lobisomem surgia a partir do nascimento do sétimo filho homem de uma família. Por derivação, às vezes, fala-se que é o oitavo filho (após o nascimento de sete irmãos).
Em outros relatos, também populares na época, dizem que a maldição surge quando o filho é resultado de relação entre compadre com comadre. Em raros casos, uma bruxa pode gerar espontaneamente um lobisomem usando palavras mágicas.
Maria do Rosário Tavares de Lima recolhe estas versões em Joanópolis − município a pouco mais de 100 km de São Paulo. Em seu livro “Lobisomem − Assombração e Realidade” (1983), que ajudou a transformar a cidade na Capital do Lobisomem, ela aponta que homem que fica 10 anos sem se confessar e comungar, ou sem pôr a mão na água benta, também corre o fado. O mesmo acontece com quem falta ao respeito com pais ou padrinhos.
O Lobisomem-Porco é das versões mais conhecidas desse amaldiçoado. Surge quando a pessoa que carrega a maldição se espoja (ou rola) em um local onde passaram um cachorro e um porco, assumindo as características dos dois animais. Com frequência, é descrito como sendo grande e macilento, como um urso, de rabo e orelhas curtas. Seu grande focinho está sempre fuçando e roncando por onde passa. O lobisomem é faminto, e é possível diferenciar um porco comum de um monstro, em sua forma inicial, devido à fome descomunal que ele demonstra.
LOBISOMEM PORCO
Pontos de Força: 7
Pontos de Vida: 3
Tipo: Visagem
Elemento: Noite
Habilidade:
Envie uma carta Gente, de sua Mão, para o Beleléu, para poder invocar Lobisomem. Não é possível invocá-lo sem fazer isso, mesmo com uma carta Saberes.
Efeito: Fadário
Citação: "Fique em casa, rapaz. É quaresma... O bicharedo anda solto pela terra."
Artista: André Vazzios
– CASCUDO, Luís da Câmara. Licantropia sertaneja. Imburana – revista do Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses, UFRN, n. 9, jan./jun. 2014.
– LIMA, Maria do Rosário de Souza Tavares. Lobisomem: assombração e realidade. São Paulo: Escola de Folclore, 1983.
– VASCONCELLOS, J. Leite de. Tradições populares de Portugal. Porto: Livraria Portoense de Clavel & Cia, 1882.
Para que um lobisomem se transforme, escreve Câmara Cascudo, é preciso seguir uma ritualística. Em datas específicas – que não estão ligadas à lua cheia, mas aos dias da semana, o Lobisomem vai até um local onde os animais se espojam. Nesse espojadouro, um espaço com capim amassado e revolto onde animais rolam para se refrescarem e se coçarem, ele tira suas roupas, enterra num buraco no chão ou pendura no topo de uma árvore.
Cascudo sugere ainda que o homem deve dar sete nós na camiseta, antes de a esconder. Depois, “rola da esquerda para a direita, reunindo os pés e as mãos”. Assim começa a transformação da carne: quanto mais animais tiverem passado pelo espojadouro, mais híbrido será o Lobisomem.
No Brasil, o Lobisomem é frequentemente descrito como uma mistura de homem com cachorro e porco. Em Mato Grosso do Sul, o memorialista Hélio Serejo aponta: “Alguns lobisomens (metade porco, metade cachorro) passam pelos caminhos arrastando grossa corrente. […] Cada elo da corrente representa uma transformação. A cada transformação, a corrente ganha mais um elo. O barulho das correntes contamina os arvoredos e cercas de arame, que começam a repetir o barulho em eco”.
Existe ainda outra versão recolhida por Serejo, na qual o Lobisomem não apenas é um híbrido, mas também solta chamas: “nas calmas noites de lua cheia sem vento e sem ruídos, costuma aparecer lobisomem (metade porco, metade cavalo petiço) de pelos arrepiados, com um profundo buraco na cabeça, que expele fumaça e fogo a todo instante, e duas peludas e enormíssimas orelhas, que se arrastam pelo chão, produzindo um estrépito violento, como o de tempestade quebrando galhos”.
Conta Serejo que certa vez o lobisomem atacou um pelotão de soldados revolucionários na fronteira com o Paraguai. Por mais que todos o tivessem atacado, ainda assim os derrotou facilmente. “porque antes havia se reborqueado no espojador onde estivera ‘refrescando o corpo’ um boi chifrudo, um cavalo e um porco, e, como nestas circunstâncias lobisomem vira fera terrível, de força descomunal, escorraçou a soldadesca audaciosa e destruiu o forte”.
Na hora de correr o fado, o Lobisomem a tudo ataca e devora. Cadáveres, cachorros, carniça e até excrementos de animais. Maria do Rosário fala também em melado, gordura de sabão e sangue humano. Ataca e devora gente, mas especialmente as crianças não batizadas. É por isso inclusive que vive rondando mulher grávida, já que o filho na barriga ainda é pagão.
Nos dias em que não está transformado, o lobisomem sofre muito do estômago. Vomita constantemente, botando para fora a porqueira de que se alimentou enquanto fera. Por isso é que dizem ser sempre amarelo, fraco e com olheiras profundas.
O lobisomem corre como o vento. Alguns dizem que o próprio vento indica a iminência da chegada do Lobisomem. É como escreve Serejo: “Sendo inteiramente preto, se confunde com as trevas, raramente era visto. Sabia-se de sua presença pelos malefícios que praticava e por um vento enraivecido e quente que antecedia sua presença. Vento que chama lobisomem, abrindo caminho, é vento que tudo esturrica, matando plantações e secando nascente.
Existem algumas maneiras de desencantar a criatura. Como se dizia em Portugal: “quebra-lhe o fado fazendo-lhe sangue no rabo” (1880). Arrancar sangue do Lobisomem em uma luta justa acaba com o fadário. Em algumas versões, isso é mais difícil: apenas uma gota de sangue deve ser tirada. Por isso recomenda-se o uso de um alfinete. Cascudo conta a história de um homem atacado por lobisomem que lutou com ele durante a noite toda. Cansado, já sem energia para levantar a faca, usou um galho de aroeira para furar o monstro e encerrar sua transformação.
Ainda assim, é preciso cuidado. Os homens medrosos que se deixam morder pelo lobisomem adquirem o seu fadário. Se o sangue do lobisomem tocar seu oponente, ele também se tornará lobisomem. A única pessoa que pode fazer isso sem que sofra a transformação é a própria esposa do lobisomem. Outra opção é queimar as roupas que o monstro deixa para trás. Maria do Rosário encontrou ainda outra alternativa: surrar o lobisomem com duas cordas de fumo, amarrando uma terceira em seu pescoço.
LOBISOMEM TOURO
Tipo: Desafio
Elemento: Peleja
"Bala de prata? Isso é coisa de cinema..."
Condição de Vitória:
A) Some mais de 16 PFs do seu lado do campo e derrote a carta em combate.
B) Arrisque um ataque Tudo ou Nada quando somar metade do valor.
Efeito:
Esta carta não tem efeitos adicionais
Artista: Berjê
– LIMA, Maria do Rosário de Souza Tavares. Lobisomem: assombração e realidade. São Paulo: Escola de Folclore, 1983
– MACHADO, José Homem. O folclore da Ilha do Pico. Horta: Núcleo Cultural da Horta, 1991.
– SEREJO, Hélio. Lendas de Mato Grosso do Sul. In: SEREJO, Hélio. Obras Completas vol. VIII, Campo Grande: Instituto Histórico Geográfico, 2008a.
– ______. O Lobisomem. In: SEREJO, Hélio. Obras Completas vol. I. Campo Grande: Instituto Histórico Geográfico, 2008b.
– VASCONCELLOS, J. Leite de. Tradições populares de Portugal. Porto: Livraria Portoense de Clavel & Cia, 1882
Recentemente, tem se tornado cada vez mais popular a narrativa de que a lenda da Loira do Banheiro teria uma origem comum para todo país. Ela estaria relacionada à morte de Maria Augusta de Oliveira, filha do Visconde de Guaratinguetá, Francisco de Assis Oliveira Borges.
Vamos aos fatos históricos: Nascida em 1865, Maria Augusta foi uma das tantas filhas do segundo casamento do Visconde. Seu pai procurava casamentos para os filhos e netos entre as ricas famílias do interior de São Paulo. Foi assim que ela, aos 14 anos de idade, teve que casar com o Conselheiro Dutra, vice-presidente da Província de São Paulo, banqueiro e professor de Direito, 21 anos mais velho que ela.
O restante encontramos não em documentos oficiais, mas em textos de memorialistas – que podem, ou não, terem os acontecimentos traídos pelo passar do tempo. E muito do que, em princípio, sabemos sobre Maria Augusta foi escrito por pessoas como Carlos Eugênio Marcondes de Moura e a professora Maria Isabella Fabiano.
Ao que parece, Maria Augusta, ao completar 18 anos, mentiu para o marido que iria fazer compras e fugiu para o Rio de Janeiro. De lá, embarcou para a Europa. Foi assim que o marido pediu seu divórcio. Após aproveitar como pode, retornou ao Rio de Janeiro, onde faleceu aos 26 anos de idade. Quando o corpo foi transladado para Guaratinguetá, foi disposto em uma alcova de vidro, já que o mausoléu para a moça ainda não estava construído. Segundo Carlos Moura, é aí que as coisas passam a ficar estranhas.
“Quando o corpo chegou a Guaratinguetá foi um acontecimento e a estação ficou apinhada de gente. Enquanto a capelinha não ficava pronta, seus restos permaneceram em uma alcova, na chácara do visconde. Certa tarde, tia Maria Amélia (Miquinha), que sofrera um aborto, muito febril, viu uma luminosidade intensa envolver a alcova (que avistava de seu quarto) e Maria Augusta levantou-se do caixão, dirigindo-se a ela. “Estou sofrendo muito e não sou santa para permanecer em redoma de vidro. Quero que me enterrem”, pediu ela à irmã. Impressionadíssima, tia Miquinha teve seu estado agravado e morreu algumas horas depois”.
Com a morte do visconde, o palacete onde viviam ficou nas mãos da viúva e de seus filhos. Com a morte desta, o imóvel passou para o Governo do Estado de São Paulo, quando foi adaptado para se tornar a Escola Complementar e Normal de Guaratinguetá, em 1902. No local hoje funciona a Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves, e dizem que a alma da filha do visconde permanece assombrando o espaço na forma de Loira do Banheiro.
Instigante que seja esta história, ela é apenas uma das infinitas Loiras do Banheiro que existem pelo Brasil. Suas narrativas vão sempre ser marcadas por mulheres que sofreram algum tipo de violência, sendo personificadas de maneira distinta em cada colégio, cada espaço.
Em Mato Grosso do Sul, a versão mais conhecida da lenda é a da Mulher do Algodão. No Jockey Club, os alunos da E. M. Padre José Valentim encontraram uma narrativa bastante cruel. Dizem que o fantasma era uma menina que foi violentada e morta no banheiro da escola. O homem que a matou colocou algodão na sua boca, arrastou seu corpo até a privada, chutou seu corpo e ainda a xingou. Para fazer com que a aparição surja, é preciso dar três chutes no vaso sanitário e falar três palavrões. Existe uma variação ainda que diz que não são três palavrões a esmo, mas três ofensas direcionadas especificamente para o espírito.
Uma alternativa colhida na mesma escola é a lenda da Mulher do Algodão Doce. Dizem que era uma merendeira da escola que, enquanto fazia o doce, foi esfaqueada pelo segurança que ali trabalhava. O corpo foi mais tarde enterrado no banheiro do colégio. O encanto, aqui, é um pouco mais complexo: é preciso chutar o vaso, dar descarga e falar palavrão, sempre três vezes seguidas. Então se deve apagar e acender a luz e abrir e fechar a torneira. Quem fizer isso, ao abrir a porta do box, vai dar de cara com o fantasma.
Muito parecida é a história colhida pela E. M. Múcio Teixeira Junior, na Vila Carlota: a Mulher da Faca. Dizem que é um espírito que tem raiva das crianças, por que teria sido uma a responsável por sua separação do marido. O fantasma, famoso por decapitar crianças, aparece quando se chuta o vaso três fazes e se fala três palavrões. Interessante é que há também um ritual de esconjuro: para que ela suma, basta dizer o nome de três belas flores.
São todas variações que mostram que a Loira do Banheiro, e outras assombrações femininas, não tem uma origem única. Passam pelos medos atávicos que formam nossa relação com a violência de gênero ao longo dos séculos.
LOIRA DO BANHEIRO
Pontos de Força:
Pontos de Vida:
Tipo:
Elemento: Noite
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista: Reichel Ilustra
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Certo dia na cabana um guerreiro
Foi atacado por uma tribo pra valê
Pegou dois pau, saiu de salto mortal
E gritou pula menino,
Que eu sou Maculelê
Dança ou luta? Assim como a capoeira, o Maculelê é um pouco de cada. No entanto, há uma característica adicional nessa manifestação cultural típica do Recôncavo da Bahia: seus ares de folguedo. Mas, afinal, o que é Maculelê? Ou, antes ainda, o que significa este termo?
Existem versões de um “mito de origem” que orienta a manifestação. Alguns contam que a história começa na África, quando uma aldeia foi deixada sem seus principais guerreiros durante uma invasão. Em algumas versões, eram 22 guerreiros que restavam para proteger as mulheres e as crianças. Em outras, apenas um, chamado, justamente, Maculelê.
Armado apenas com pedaços de pau, Maculelê lutou bravamente, garantindo a proteção de seu povo. Quando os outros voltaram e descobriram o incrível feito passaram a celebrar o acontecimento, com uma dança que simulava os grandes momentos dessa luta. Variações deslocam a história para o Brasil, quando um guerreiro indígena, Maculelê, protegeu o povo negro (reforçando a ideia de que a tradição seria afro-indígena).
A etimologia de Maculelê é errática, e muitos trazem variações tão distintas quanto seu mito de origem. Há os que falam que o nome vem da junção de Macuas e Males, dois povos africanos que estariam em combate. Outros acrescentam que Lelê seria o nome dos cacetes que utilizavam nas batalhas – que, hoje, são chamados de “grimas” (talvez de “esgrimas).
Outra possibilidade é que a referência seja aos instrumentos que acompanhavam a dança/luta: “macu” viria de macumba, instrumento de percussão semelhante ao reco-reco. Já a sílaba final viria de um dos três atabaques utilizados, chamado “Lê” – o menor e mais agudo.
Historicamente, o Maculelê está ligado à cidade de Santo Amaro da Purificação, na Bahia. Os primeiros relatos desta manifestação apontam para seu surgimento nas plantações de cana, no século XVIII ou XIX. Na época, tal como na capoeira, os negros fingiam estar louvando santos e orixás enquanto dançavam e lutavam maculelê – preparando o corpo para o enfrentamento.
O que sabemos desta história chega até nós graças ao mestre Popó do Maculelê, nome pelo qual ficou conhecido Paulino Aluísio de Andrade. Ele aprendeu com os antigos mestres – já negros forros, graças à lei do Ventre Livre – e, com base nas suas lembranças, passou em depoimento todo seu conhecimento ainda na década de 1940. Seguindo a influência religiosa, Mestre Popó levava o folguedo para as festas regionais, como às da padroeira. Assim, surge o Conjunto de Maculelê de Santo Amaro.
A relação tão imiscuída entre capoeira e maculelê gera algumas confusões, como a interpretação de que maculelê é uma prática da capoeira. Os mestres apontam que são duas coisas distintas, mas nascidas das mesmas necessidades. Um dos responsáveis por essa incorporação tão presente do maculelê pela capoeira foi Mestre Bimba, que – por sua notoriedade – constituiu um grupo de exibição em que apresentavam não apenas capoeira, mas também candomblé, samba de roda e, claro, maculelê.
Segundo o Mestre Popó, o Maculelê era dançado somente com as grimas. Hoje, no entanto, é comum que balés e grupos folclóricos que representem o maculelê utilizem também facões. As armas foram acrescidas como elemento estético, ampliando o espetáculo para o público. No entanto, é de se lembrar que, historicamente, não haveria como os escravizados dançarem usando armas de corte sob o jugo dos feitores. Há relatos antigos de um “Maculelê de Cana”, dançado com longos bastões de cana de açúcar no lugar das grimas.
Outro elemento também acrescido por motivos de performance é o próprio figurino. No passado, as roupas eram as clássicas calças de algodão cru, com o peito nu. Hoje, foram introduzidos os saiotes de sisal e, por vezes, mandalas de palha no peito – remetendo a elementos africanos. A pintura corporal também se complexificou, ganhando formas atualizadas.
MACULELÊ
Pontos de Força:
Pontos de Vida:
Tipo:
Elemento: Vento
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista: Sam Hart
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Narrativas míticas para explicar a origem de fenômenos ou elementos da natureza são muito frequentes. Este é o caso da história que conta o surgimento de peixes achatados, em especial o Linguado (Solea Solea) que dão ao povo a impressão de ter o rosto fora do lugar. A cara torta.
O lastro dessa narrativa pertence ao folclore cristão. Conta Apolinário Porto Alegre: “Um dia vinha Nossa Senhora muito cansada sob um terrível sol de verão. Quando ela aproximava-se duma praia, vinha o linguado para sestear, como é seu costume. A Virgem, lavada em suor e com a voz arquejante, dirigiu-se a ele:
“Não podes dizer-me linguado, que horas são?”. Este mirou-a por algum tempo, aborrecido por ela vir perturbá-lo. Depois riu-se e arremedou-a, contra-fazendo-lhe o gesto e a voz: Não podes dizer-me, Linguado, que horas são? A Virgem amaldiçoou-o então, dizendo-lhe que ficasse no estado em que estava, arremedando-a. Desde esse tempo ficou com a boca torta”.
Variações desta história incluem outro tema muito frequente nos contos populares católicos: as andanças de Jesus e Pedro pelo mundo. Dizem que quando Cristo pediu informação ao linguado, querendo saber se a maré enche ou vaza, o peixe arremedou o filho de Deus, debochando dele. Como castigo, Jesus aplicou um tapa no peixe que deformou seu rosto e condenou todos os seus descendentes.
Animais abençoados ou amaldiçoados por Jesus e Maria são uma constante no folclore católico. É o caso do Bem-Te-Vi, por exemplo, que por ter entregado aos romanos a posição de Maria e José durante a fuga para o Egito foi amaldiçoado como pássaro dedo duro. O mesmo com o Quero-Quero, que tornou-se incapaz de descansar, ficando sempre vigilante com seus olhos vermelhos injetados.
No Brasil, essa mesma história é contada para peixes semelhantes, como o Peixe Tapa e a Solha. Cabe lembrar que, muitas vezes, os nomes populares se misturam, fazendo com que todos sejam chamados de Linguado ou vice-versa.
MALDIÇÃO DA CARA TORTA
Tipo: Saberes
Elemento:
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista: Leo Finocchi
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Mamulengo é o nome que se dá ao teatro de bonecos especialmente em Pernambuco. Existem, entretanto, outras variações que abrangem outras regiões: Cassimiro Coco, Babau, João Redondo, que são muitas vezes o nome de um único tipo de boneco que se tornam sinônimo de toda a tradição.
Em busca de contemplar todo o fenômeno, em 2015 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registou como patrimônio imaterial brasileiro todas essas manifestações sob o guarda-chuva: “Teatro de Boneco Popular do Nordeste”.
Ninguém sabe ao certo a origem do termo “Mamulengo”. A versão mais comum vai dizer que é uma derivação de “mão molenga”, remetendo a técnica necessária para que o bonequeiro movimente o boneco. Nei Lopes vai arriscar uma influência na língua kikongo, “milengo”, significando “maravilha, milagre”. Há ainda quem sugira a influência Bantu, “malungo”, que quer dizer “companheiro”.
A tradição tem lastro religioso, e teria surgido com a vinda dos cristãos para o nordeste trazendo com eles a tradição dos presépios mecânicos, em que os bonecos realizavam pequenos movimentos para chamar a atenção do público. Mais tarde, a própria cultura de teatro de bonecos vai ganhar o nome de “presepe”.
Hoje bonecos autômatos também integram o teatro, mas como parte do cenário. Eles podem fazer movimentos como socar pilão, moer milho ou mesmo esfaquear um inimigo. A cena principal, no entanto, cabe aos bonecos manipulados
Existem várias formas de manipular o boneco. É possível usar varetas ou vesti-lo como uma luva. Puxando uma cordinha, é possível mover a boca ou levantar os olhos para aumentar o efeito cômico. Alguns mamulengos são feitos em tamanho real, e são movimentados com o corpo todo, para simular que estão dançando com o bonequeiro – causando a diversão da plateia.
O boneco costuma ser feito com a cabeça de madeira, especialmente a planta conhecida como mulungu (Erythrina Mulungu), e com corpo de tecido, fibra e papelão. Regra só existe uma: quanto mais feio, melhor. O objetivo, afinal, é arrancar o riso da plateia.
Cada local terá seus personagens mais frequentes da brincadeira. Em Glória de Goitá/PE, por exemplo, é muito comum que se tenha histórias envolvendo bonecos da Morte (representada por um esqueleto com foice), com policiais ou militares que sempre querem bater nos outros e impor a autoridade pela violência; Mateus e Catirina, importados dos folguedos do Bumba meu Boi e assim por diante.
A música cumpre um papel fundamental na brincadeira do mamulengo. É ela que chama atenção do público, reunindo a plateia para o espetáculo que vai começar. Por outro lado, também é a responsável por fazer o mamulengueiro entrar na história. Num registro feito pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, Gilberto Souza Lopes da Silva, o Bel, resume: “Tem uma tradição que diz que o boneco dorme e só acorda quando a gente chama ele, a música é que chama os espíritos dos bonecos”.
MAMULENGO
Tipo: Saberes
Habilidade:
O boneco mamulengo foi lutar no seu lugar. Troque o Desafio ativo e envie-o para o fundo do baralho.
Efeito: Troca
Citação: "Você é um mestre bonequeiro? Então prove!"
Artista: Doug Retícolo
– IPHAN. Registro do teatro de bonecos popular do Nordeste. Mamulengo, Cassimiro Coco, Babau e João Redondo. Dossiê Interpretativo. Brasília, Jun. 2014.
– TEIXEIRA, Raquel Dias. A música é que chama os espíritos dos bonecos. Mamulengos em Glória do Goitá. Rio de Janeiro: IPHAN, CNFCP, 2012.
Maozão é o nome pelo qual é conhecida a visagem protetora das matas que habita, especialmente, o Pantanal da Nhecolândia no Mato Grosso do Sul. Quem pergunta sobre ele nas comunidades do entorno, no entanto, não encontraram quem o reconheça. Referem-se, com maior presença, ao “Pai do Mato”, um nome que muitas vezes congrega todas as visagens semelhantes.
A coleta de narrativas orais no Pantanal compila características comuns. Maozão é um mito do tipo Bicho-Homem. Quando é mais humano, dizem-no ser uma pessoa negra. Quando é mais animalesco, é totalmente peludo. Muito alto e de grande porte físico, a visagem não possui mãos enormes, mas sim poderosas. Aquele que tem sua cabeça tocada por ele fica transtornado e se perde na mata. Quando encontrada, a pessoa está emudecida, alheia, e demora a recobrar a razão.
A visagem, por vezes, lembra aos humanos que é preciso pedir permissão para entrar no território que protege. Maozão aparece impedindo a ação de caçadores que desrespeitam as normas sociais – especialmente a de não caçar mais do que precisa para comer. É comum histórias em que desafie os homens, enfrentando-os com lambadas de cipó ou rabo de tatu.
Álvaro Banducci Jr. recolhe um causo em que um homem consegue lenhar o monstro com seu facão – que fica sujo de sangue preto. Maozão interrompe a luta, alerta para que o sujeito nunca mais viole a mata, e orienta para que guarde o facão sempre consigo. “É uma defesa que cê tem prá qualquer efeito”.
Dizem que o Maozão é capaz de assumir forma de animal, especialmente de anta. E é também na forma deste bicho que carrega pessoas para o fundo da mata. As crianças que ele sequestra trazem como peculiaridade o envelhecimento precoce. Passam-se dias, mas os cabelos do pequeno cresceram como se fossem meses. A criança, todavia, está incólume: roupas limpas e bem alimentada. Afinal, a anta lhe trazia mel e frutas para comer.
Para escapar dele, basta atravessar um curso d’água. O Maozão, como muitas outras visagens, é incapaz de atravessar água corrente.
MAOZÃO
Pontos de Força:
Pontos de Vida:
Tipo: Visagem
Elemento: Terra
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista: Murilo Mendes
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De início temos o nome. É difícil cravar com certeza qual a etimologia do nome Mapinguari, afinal uma língua fundamentalmente oral pode dar origem a interpretações diferentes simplesmente a partir dos modos como se pronuncia e se escuta cada palavra. A principal suposição diz que o nome Mapinguari vem do Tupi-Guarani, e significa “Coisa com os pés torcidos” ou “Aquele que tem os pés torcidos”. O que é interessante porque essa, nem de longe é a característica mais marcante do mito do Mapinguari nos dias de hoje.
De qualquer maneira, historicamente não se pode dizer que o Mapinguari seja um mito dos mais antigos. Podemos ter este entendimento uma vez que os cronistas e naturalistas que estiveram na Amazônia nos primeiros séculos de colonização nunca registraram nada parecido em suas publicações, diferentemente do que ocorreu com outros mitos há muito estabelecidos como a boiúna, os curupiras ou caiporas.
Em verdade, os primeiros relatos de mapinguari vão datar da virada do século XIX para o século XX, coincidindo com o primeiro ciclo da borracha na Amazônia – em que a extração do látex levou a um boom econômico e populacional na região norte do país. E é justamente entre os seringueiros que encontramos alguns dos relatos mais antigos sobre o mapinguari: uma criatura gigantesca, semelhante a um símio com garras enormes e boca ainda maior e que perseguia e devorava os homens.
Grande indício de sua presença é o grito bestial que ecoa pela mata, acompanhado do barulho de galhos partindo. Seu cheiro também é muito referenciado, por vezes lembrando o do morcego, por vezes o de alho podre. Persegue indistintamente os seres humanos na mata e os devora, ora comendo primeiro a cabeça, ora aos pedaços.
Mas, afinal, como é este mapinguari? Sua aparência e habilidades são, a bem da verdade, uma grande amálgama dos mitos Bicho-Homem. As suas inúmeras descrições vão tomar emprestado tudo aquilo que o tornaria bestial. Dizem que é humanoide, mas gigantesco – variando de três a seis metros de altura –, parecendo um símio, com o corpo coberto de pelos longos e couro impenetrável. Esta invulnerabilidade às vezes entra na oralidade como se ele tivesse pelo corpo casco como o da tartaruga, couro reptiliano como o do jacaré ou mesmo pedras no peito e nas costas.
Seus pés, que mencionamos anteriormente, são por vezes virados ao contrário – como o curupira e outros seres da mata que usam desta estratégia para confundir os seus perseguidores. Outras versões, hoje as mais comuns, dizem que suas pegadas são redondas como mãos de pilão ou o fundo de uma garrafa – como um outro mito brasileiro, o pé-de-garrafa. E, também, como o pé de garrafa, há variáveis que falam que teria um pé só ou um só lado do corpo. Por isso falamos em amálgama.
Sua boca gigantesca, localizada no abdome, é frequentemente descrita como disposta na vertical – à semelhança do Quibungo, monstro tradicional entre os negros que vieram escravizados ao Brasil, com a diferença que a boca do quibungo fica nas costas. Ambas, no entanto, pela sua posição, remetem invariavelmente a uma vagina dentada. E é o que nos leva a pensar: o que ou quais tipos de comportamento o mito castra entre os homens?
O mapinguari possuí às vezes dois olhos, mas constantemente fala-se que possui apenas um, o que ressalta sua bestialidade. Se ter dois olhos é o padrão da medida humana, e o terceiro olho é o da vidência, da excepcionalidade, as imagens de um único olho vão remeter à bestialidade, à violência descontrolada dos que não distinguem adequadamente certo e errado, amigo de inimigo, isto ou aquilo.
Quanto ao seu ponto fraco, alguns dizem que é justamente no único olho, ou na boca – que se abre quando ele grita. Mas a descrição mais comum é a que fala do umbigo como sua fraqueza: uma constante entre os mitos bicho-homem. Resquício do cordão umbilical, é aquilo que liga o monstro à sua origem humana.
Mapinguari parece representar este medo atávico daquilo que nos desumaniza, nos torna monstruosos, cegos para o sofrimento afligido, castrador de nossas ações e desejos. Ainda assim, ao final, o umbigo sempre estará lá para lembrar que debaixo de todo o couro, cascos, pelos que nos tornam insensíveis, estará lá o espírito humano.
MAPINGUARI
Pontos de Força:
Pontos de Vida:
Tipo:
Elemento: Terra
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista: Nobitz
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