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Disputa de Bafo

Ilustração de um menino e uma menina disputando bafo. Ele está de joelhos erguendo um dos braços com algumas cartas indo pelos ares, e outras em um monte no chão. A menina está de joelho logo em frente. Uma árvore ao fundo, e outra criança sentada em um banco.
Arte de: Daniel Brás

DISPUTA DE BAFO

Relatório

“Bater bafo” ou “jogo do bafo” é a forma como se conhece a brincadeira que consiste em usar as mãos para, com um único movimento, virar figurinhas ou cartinhas dispostas no chão. Não é questão de força, mas de jeito. Com o tapa correto, o ar levanta o bolo de figurinhas, garantindo a vitória. É, inclusive, dessa lufada de vento criada que vem o nome da brincadeira.

Existem várias técnicas diferentes para poder bater bafo. A maioria está ligada à posição das mãos: fazer um montinho, colocar uma sobre a outra, entrelaçar os dedos… vai de cada um. Há ainda aqueles que optam por assoprar as mãos antes de bater, como que inserindo com o sopro a mandinga necessária para atingir o objetivo final.

Não existe uma unidade da maneira de nomear estas manobras, mas Leandro Santos de Souza em um artigo dedicado à brincadeira levanta alguns tipos de “batidas”. São elas:

– Bafão – Batida realizada com as duas mãos unidas.
– Mãozinha – Batida realizada apenas com uma mão.
– Ventinho – Batida também conhecida como “Bafo de Dragão”. Nesta batida, deve-se bater a palma de cada uma das mãos uma contra outra próxima às cartas, o vento provocado pela palma virá as figurinhas.
– Dedão – Batida realizada com o dedo polegar de uma das mãos. Nesta batida, o jogador deve pressionar a carta com o dedo polegar puxar para cima.
– Dedinho – Batida realizada com o dedo mindinho de uma das mãos. Nesta
batida, o jogador coloca o dedo debaixo da carta e a empurra para cima.
– Martelinho – Batida realizada com o punho cerrado.
– Lateral – Batida realizada com a lateral da mão (como um golpe de karatê)
– Mão Aberta – batida semelhante à batida “mãozinha”, mas realizada com a mão aberta e os dedos afastados.

Duas coisas, no entanto, são terminantemente proibidas durante a brincadeira. A primeira é lamber a mão, para tentar criar algum tipo de aderência às figurinhas com a própria saliva. A outra é tentar prender a carta com os dedos na hora de virar. Também há toda uma estratégia na hora de dispor as cartas no montinho. Elas podem estar retas – seladas no chão – ou ainda em escadinha.

É possível jogar de brincadeira, onde nenhuma figurinha sua está em risco, ou “a valer”. Nesta modalidade, aquele que virar a figurinha usando de sua própria habilidade tem direito de posse sobre ela. O bafo é o jeito mais rápido de dar um fim a figurinhas repetidas de álbuns, ou então mesmo de jogos de cartas – que ganham outras condições de vitória para além dos manuais.

DISPUTA DE BAFO

Tipo: Desafio
Elemento: Firula

Mostre que você é o mestre do jogo do bafo. Rapele todas as figurinhas do oponente, mas sem usar saliva!

Condição de Vitória:
Tire Cara ou Coroa por cinco vezes seguidas. Você vence se acertar, pelo menos, três vezes.

Especial:
Se não conseguir em três turnos, troque de Desafio.

Artista: Daniel Brás

Carta de Mestre do Bafo. Com ilustração de um menino e uma menina disputando bafo. Ele está de joelhos erguendo um dos braços com algumas cartas indo pelos ares, e outras em um monte no chão. A menina está de joelho logo em frente. Uma árvore ao fundo, e outra criança sentada em um banco.

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Fontes

– SOUZA, Leandro Santos de. Bafo, que jogo é esse? In: SEMINÁRIO DE METODOLOGIA DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA (SEMEF), 5, 2014, São Paulo. Anais […] São Paulo: Faculdade de Educação da USP, 2014. p. 1-17

Duelo de Improviso

Ilustração em tons de cinza mostrando dois violeiros tocando suas violas disputando. Ele usam chapéu e estão se encarando bravamente
Arte de: Zambi

DUELO DE IMPROVISO

Relatório

Chegando Manoel Raimundo
Numa casa em Pedra Fina,
O povo estava ansioso
Pra ver a carnificina,
Perguntaram se queria
Cantar com Manoel Campina

Respondeu Manoel Raimundo:
Canto, pois não, sim senhor,
Sou novo na cantoria
Mas não temo cantador
Depois que me esquenta o sangue,
Canto seja com quem for.

Mandaram chamar Campina
Depois pegaram a dizer:
A surra que esse homem leva
Faz vergonha a quem vai ver,
A macaca de Campina,
É danada pra doer.

Depois chegou o Campina
Com a viola na mão,
Pedindo ao povo da casa,
– Me aponte o valentão,
Eu quero tirar-lhe a fama
No lapo do cinturão.
– Peleja de Manoel Raimundo com Manoel Campina,
Por João Martins de Ataíde, 1941

Duelos de improviso é um elemento bastante frequente na cultura popular brasileira. São, em resumo, demonstrações de habilidade do poeta popular, em que ele precisa reunir ritmo, raciocínio rápido, carisma e métrica. Encontramos esta constância em cantorias de repente, duelos de viola e, nos dias de hoje, batalhas de MCs que fazem tanto sucesso nas redes sociais.

Alguns autores traçam uma relação valiosa entre o improviso na música e a cultura negra. Enquanto por muito tempo a música clássica teve uma estrutura rigorosa, desencorajando arroubos de criatividade espontâneos, os negros mantiveram essa liberdade nos gêneros populares como choros e sambas de partido-alto no Brasil, ou com o jazz e o blues nos Estados Unidos.

A dualidade entre rigor do clássico com o improviso não deve ser entendido como uma disputa entre técnica e a falta dela. O improviso também obedece regras, e aquele que não as cumpre é mal-visto entre os seus pares. Outra potência no improviso está no enfrentamento à fixação. Como nos lembra Paul Zumthor, improvisar oferece a liberdade de retocar o texto incessantemente – como mostra a prática dos cantadores.

Para facilitar os diálogos cantados, alguns recursos de fazem necessários. Um deles é o chamado “modelo responsorial”, em que um refrão proposto pelo cantador é repetido pela plateia. Com uma parte da rima garantida, as variações se concentram neste entremeio.

Outra estratégia frequente está na relação com a performance. Talvez a rima não seja boa, talvez os versos não se encaixem, mas se tiverem apoio do público, o cantador sairá vitorioso da mesma maneira. Estar atento à plateia e responder às suas expectativas é uma estratégia frequente.

DUELO DE IMPROVISO

Tipo: Desafio

Elemento

Habilidade:

Efeito: 

Citação:

Artista: Zambi

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Fontes

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Duelo de Repente

Ilustração com dois musicos sentados. O da esquerda toca violão, veste um chapéu escuro, camisa amarela, gravata vermelha, paletó azul, e calça e sapatos marrons. O da direita é um senho com óculos, chapéu, calça bege, sapato azul, camisa vermelha, e toca um violino amarelo.
Arte de: Rafael Limaverde

DUELO DE REPENTE

Relatório

“Repente” é uma modalidade de poesia cantada típica dos estados do nordeste, onde é também conhecida como “Cantoria”. Muitas vezes acompanhada de música, é uma demonstração de habilidade e improviso do cantador, que deve seguir uma série de normas métricas que variam de região para região.

Em 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou o repente como patrimônio imaterial brasileiro. Em seu dossiê, constam mais de 50 modalidades de repente, inclusive as duas mais conhecidas: a de versos heptassílabos e a de versos decassílabos. No primeiro caso, além de rimar é obrigatório que o acento tônico da frase esteja na sétima sílaba do verso. No segundo caso, o acento está na terceira, na sexta e na décima sílaba.

Como escreve Câmara Cascudo em seu livro “Vaqueiros e Cantadores”, os repentistas não podem resistir à sugestão poderosa do canto, da luta, da exibição intelectual ante o público. “Caminham léguas e léguas, a viola ou a rabeca dentro de um saco encardido (…) ruminando o debate, preparando perguntas, dispondo a memória. São cavaleiros andantes que nenhum Cervantes desmoralizou”.

O pesquisador não estava exagerando. O nome dos cantadores tornava-se notório, circulava de boca em boca, sua fama aos níveis do lendário. E quando isso acontece, o que o povo mais aguarda é a disputa entre os grandes. Não é por acaso que embates entre cantadores permanecem na memória popular mais de um século depois.

Duas das disputas mais conhecidas envolveram mais do que a habilidade de rima dos seus cantadores. Foram pelejas que entraram para a história também por questão de raça. É o caso da notória disputa entre o negro Inácio da Catingueira contra Romano da Mãe d’Água na Paraíba (1874) e de Zé Pretinho dos Tucuns, versador do Piauí, e Cego Aderaldo, famoso repentista no Ceará em 1914.

Em ambos os casos as ofensas são intensas, e não tarda para os brancos tentarem se valer de condição de raça para minimizar o outro. “Negro, cante com mais jeito, Veja sua qualidade / Eu sou branco e sou de vulto / Perante a sociedade / Em vir cantar com você / Baixo de dignidade”, dizia Romano. Apenas mais um dos tantos exemplos do que os cantadores negros precisaram enfrentar durante suas disputas, valendo-se da inteligência para ganhar o público que já estava contra eles.

Na disputa contra Cego Aderaldo, que chega até nós pelo folheto de cordel escrito por Firmino Teixeira do Amaral, Zé Pretinho acaba perdendo o embate. Ao final da disputa, os cantadores começam a se desafiar a repetir um trava-línguas no meio da canção e Zé não teria conseguido encaixar na rima o clássico “Quem com cara paca compra, paca cara pagará”.

Já Inácio da Catingueira foi levando Romano ao limite a cada nova rima, que chega ao clímax quando o último tenta mostrar sua brabeza: “Romano quando se zanga, / Treme o Norte, abala o Sul…”.

Mal termina a estrofe, Inácio retruca:

“Pois Inácio, quando canta,
cai estrela, a terra treme.
O sol esbarra o seu curso,
o mar se balança e gene.
Cerca-se o mundo de fogo
e nada disso o negro teme”.

DUELO DE REPENTE

Tipo: Desafio
Elemento: Firula

Condição de Vitória:
Envie uma carta da Mão para o Beleléu e faça uma rima com ela. O oponente pode fazer o mesmo e contra-atacar. Descarte outra carta e repita, até que ele desista ou você tenha rimado três vezes.

Especial:
O tempo para rimar é do bom senso. Quem demorar muito perde!

Artista: Rafael Limaverde

Carta de Duelo de Repente. Com ilustração com dois musicos sentados. O da esquerda toca violão, veste um chapéu escuro, camisa amarela, gravata vermelha, paletó azul, e calça e sapatos marrons. O da direita é um senho com óculos, chapéu, calça bege, sapato azul, camisa vermelha, e toca um violino amarelo.

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Fontes

– ANDRADE, Mário. Aspectos do folclore brasileiro. São Paulo: Global, 2019
– CASCUDO, Luís da Câmara. Vaqueiros e Cantadores. São Paulo: Global, 2005

Enterros e Botijas

Arte de: Berjê

ENTERROS E BOTIJAS

Relatório

O fenômeno conhecido como fogo fátuo é, com certeza, um dos que mais inspira a criação de mitos e lendas no Brasil e no mundo. A decomposição de matéria orgânica acumula gases no solo que, quando liberados, podem causar fosforescência e queimar na forma de uma breve bola de fogo errante.

Isso, claro, é a explicação científica. No imaginário, surgem diversas outras formas de entender o ocorrido. Alguns vão perceber do facho de fogo um rastro semelhante a uma cobra, formando a conhecida Boitatá. Outros vão ver na chama fantasma alma de uma mulher; a mãe do ouro, que protege o lugar do tesouro enterrado.

Algumas pessoas vão atribuir uma origem indígena a esse mito. Isso se dá pois é muito comum entre os povos Tupi a ideia de que todos os elementos possuem uma mãe: a Mãe do Fogo, a Mãe da Coceira, a Mãe da Água… Assim, faria sentido pensar em uma Mãe do Ouro. No entanto, vale lembrar que essa valorização do ouro é algo que não é intrínseco aos povos originários.

Luís da Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro colhe diferentes versões para o mito da Mãe do Ouro. Dentro das chamas ela pode aparecer como mulher sem cabeça, como serpente, lagarto ou mesmo sem aparência definida. Seu comportamento muitas vezes é descrito como o de uma sereia, capaz de seduzir os homens e fazer com que se percam nas morrarias em busca do ouro prometido. Outras versões vão falar que ela protege o local dos tesouros enterrados, sendo ao mesmo tempo a responsável por indicar o local prometido e também de evitar que ele seja roubado.

Para além da Mãe do Ouro, narrativas de espíritos que protegem tesouros enterrados existem em todo o território nacional. No Nordeste, estes tesouros são conhecidos como “Botijas”, palavra que significa “”vasilhame de barro”” e faz referência ao costume de esconder o ouro e as pedrarias na cerâmica antes de enterrá-la. Já no Centro-Oeste, na região de Mato Grosso do Sul, fala-se genericamente de “Enterros” – ou “Plata Yvyguy” quando se está mais na região de pronteira com o Paraguai. O termo é Guarani, e significa, justamente, “tesouro enterrado”.

Gilberto Freyre, em Casagrande e Senzala, descreve que a história das botijas está ligada aos antigos coronéis. De tão gananciosos, esses homens cruéis não conseguiam desapegar das riquezas materiais e ficavam eternamente ligados à terra.

Já no Mato Grosso do Sul, a relação é com a Guerra contra o Paraguai (1864-1870). Normalmente são tesouros enterrados desta época, sejam as posses de alguma família que morreu no conflito, seja o grande Tesouro Nacional – cujas lendas dizem ter sido espalhado pelo próprio presidente paraguaio, Francisco Solano Lopes, em caravanas por toda a fronteira.

As almas presas a estes tesouros buscam as pessoas dignas para reivindicá-los, aparecendo ora como bolas de fogo ora em sonhos para aqueles de coração puro. No entanto, é preciso ser conhecedor da tradição para poder retirar o seu quinhão: deve-se ir sozinho, resistir ao ataque de todos os bichos e espíritos, não ter pensamentos negativos, não soltar pum e uma série de outros cuidados. Quem não for merecedor, ao invés de ouro, vai encontrar apenas carvão.

Outra das recomendações é riscar uma cruz com o próprio sangue sobre o pote de tesouro logo que for encontrado. É modo de evitar que os espíritos mudem o ouro de lugar.

ENTERROS E BOTIJAS

Tipo: Desafio
Elemento: Labuta

"Você sonhou com ouro enterrado. Ele será seu se você tiver coração puro e não desrespeitar os espíritos!"

Condição de Vitória:
Envie duas cartas do tipo Terra, de sua Mão ou do campo, para o Beleléu.

Efeito:
Esta carta não tem efeitos adicionais

Artista: Berjê

Carta de Enterros e Botijas. Com ilustração mostrando uma bola de fogo flutante e com rosto apavorante. Abaixo dela, um gramado com uma pá. Próximo ao gramado, abaixo da terra, um baú, um crânio humano, alguns ossos, pedras, um livro e jóias.

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Fontes

– COSTA, Andriolli. O Ouro dos espíritos – Tradição e esperança no imaginário paraguaio. Revista GeoPantanal. v. 15, n. 28, 2020.
– CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. São Paulo: Global, 2012.
– FERNANDES, Frederico Augusto Garcia. Entre histórias e tererés: o ouvir da literatura pantaneira. São Paulo: EdUNESP, 2002.
– PINHEIRO, Alexandra Santos. Em busca do nacional: Lendas e causos do interior brasileiro. In: Ideação – Revista do Centro de Educação e Letras, Unioeste, 2009.
– LEITE, Mário Cézar Silva. Águas encantadas de Chacororé: natureza, cultura, paisagens e mitos do Pantanal. Cuiabá: Catedral Unicen Publicações, 2003.

Erveira

Ilustração em preto e branco mostrando uma senhora carregando uma cesta que contém diversos frascos e ervas. Ao fundo uma barraca com diversas garrafas rotuladas e o título Barraca do Cheiro. Ao redor da imagem diversos frascos rotulados e com ervas
Arte de:

ERVEIRA

Relatório

A poporoca passou, banzeiro deixou…
Banzeriou, banzerio
Lá vem o pô-pô-pô
Trazendo o nosso cheiro do interior
Tem Pataqueira, tem Patcholi
O famoso Bulgari
Baunilha cheirosa
A famosa Priprioca
Banzeiro de pororoca
– Banzeiro, por Dona Onete (2016)

O Mercado Ver-o-Peso, em Belém, é uma das mais famosas feiras de todo o país. E em meio aos inúmeros setores de ofertas e produtos do lugar, um dos grandes destaques é o setor das ervas. É lá que ficam as erveiras e erveiros; mestres das plantas medicinais, especializados na combinação de elementos para sortilégios dos mais diversos.

Quem vai a uma dessas barracas encontra todo tipo de produto para banhos-de-cheiro, defumações, perfumes e garrafadas. Desde maços com as ervas corretas até preparados coloridos que buscam capturar a atenção do freguês. Os vidrinhos exibem os rótulos com os nomes mais criativos para as essências: “chega-te a mim”, “chama dinheiro”, “arranja marido” e tantas outras variedades para atrair o amor.

Também é possível encontrar justamente o contrário: ervas adequadas para fazer um relacionamento chegar ao fim. Não é sem motivo que em 2022 o aplicativo de relacionamentos Tinder fez um trabalho de folkcomunicação envolvendo as erveiras: influencers do Brasil receberam um kit chamado “Desata Match”, com perfumes criados pelas mestras para deixar um relacionamento seguir adiante.

Além dos perfumes, a prática do banho-de-cheiro é especialmente orientada por estas mestras dos saberes populares. Tratam-se de banhos aromáticos que juntam ervas, flores, essências e resinas para buscar efeitos mágicos. Alfredo da Mata, em Vocabulário Amazonense vai apontar que é possível buscar fortuna, boa sorte ou até mesmo afastar o “caiporismo” (tristeza) e a “panema”, uma espécie de maldição do azar por meio deles.

Os banhos são, por vezes, preparados em um alguidar, uma espécie de bacia ou recipiente. Ali as ervas são colocadas em infusão, juntamente com a intenção para cada momento: sucesso, superação, atração, e assim por diante. Cada preparado possui suas próprias peculiaridades: alguns devem ser despejados apenas do pescoço para baixo. Outros são feitos justamente para que se molhe a cabeça. Muitos pedem que não se use sabonete e nem se enxugue o corpo após o banho mágico, deixando a essência impregnar e secar com o tempo.

Diversas são as ervas utilizadas nos banhos. Osvaldo Orico menciona arruda, alecrim, manjericão, manjerona, malva rosa e branca, vassourinha. Há ainda o patchouli e a famosa priprioca – uma espécie de capim, da família do junco, com raízes de cheiro amadeirado. Um aroma tão mágico que inspira, inclusive, narrativas lendárias.

Brandão de Amorim, em “Lendas em Nheengatu e em Português” atribui a seguinte história aos indígenas Manaós. Ele lembra que a priprioca é uma contração de “piripirioca”, e conta que Piripiri era um herói mítico dos tempos antigos. Belo e jovem, exalava um perfume mágico que deixava as cunhãs perdidamente apaixonadas.

No entanto, elas nunca conseguiam se aproximar de Piripiri, pois a qualquer sinal de presença ele se transformava em névoa e desaparecia. Quem cheirava a névoa acabava presa em um sono misterioso. Frustradas, as moças procuraram o pajé e pediram orientação. Por sua instrução, utilizaram os fios de seus cabelos para criar cordas e prender Piripiri. Foi inútil: o rapaz diluiu-se no ar, novamente, e nunca mais foi visto.

Pela manhã, no entanto, ao centro de sua casa, as mulheres encontraram um capim cheiroso, que guardava seu perfume. Ali residia a sua lembrança e o seu cheiro. Por isso, a planta foi batizada “piripirioca”; a Casa de Piripiri.

ERVEIRA
Pontos de Força: 
Pontos de Vida: 

Tipo: 

Elemento: Água

Habilidade:

Efeito: 

Citação:

Artista: Will Cavalcante

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Fontes

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Espada de São Jorge

Ilustração de duas folhas de espada de São Jorge cruzadas. No fundo, um circulo branco com um corpo serpente ao redor.
Arte de: Bruno Brunelli

ESPADA DE SÃO JORGE

Relatório

Cavaleiro supremo,
mora dentro da lua.
Sua bandeira divina,
manto da Virgem pura.

A Espada-de-São-Jorge, ou Espada-de-Ogum, é uma planta praticamente onipresente nos lares brasileiros. Mágica, com ela, você pode cortar de tudo que está ruim na sua vida: inveja, olho gordo ou mesmo uma decoração da sala malfeita. Quando bem tratada, além de deixar fluir boas energias na casa, a planta agradece com uma linda flor.

Seu nome científico mudou recentemente. Todas as plantas de sua família que eram tidas como Sansevieria hoje pertencem ao gênero Dracaena. A Espada tradicional, verde e rajada, é a Dracaena zeylanica. Quando conta com uma borda amarela em suas folhas, é a Dracaena trifasciata, a Espada-de-Santa-Bárbara ou de Iansã. Há ainda um terceiro tipo, a Lança-de-São-Jorge (Dracaena angolensis), quando é cilíndrica e pontiaguda.

Invariavelmente, todas acabam sendo tratadas como a mesma planta, pela referência a Jorge, mas há peculiaridades. A Espada-de-Santa-Bárbara atua na proteção contra raios, trovões, tempestades e mau tempo. Já a de São-Jorge é frequentemente relacionada à proteção contra o mau-olhado. Este mau-olhado, olho gordo, quebrante, tem consequências físicas na cultura popular. Além de atrair o azar, a pessoa pode ficar febril, afetada por uma doença sem causa aparente.

A planta é de origem africana e foi introduzida no Brasil durante a colonização. Sua forma, a qual parece uma lâmina, remete simbolicamente a Ogum, que, como lembra Marlúcia Rocha, é divindade dona das armas, senhor dos exércitos, protetor dos caminhos. Forja o ferro e o transforma em instrumento de luta. “É a representação do escravizado reprimido, apartado e isolado de sua terra”.

Ogum, pelo aspecto de guerreiro, é sincretizado com Jorge da Capadócia. Sua hagiografia, na tradição popular, diz que foi um menino órfão de pai que foi levado para a Palestina, onde serviu como militar à corte do imperador Diocleciano. O líder do Estado foi o responsável pela última perseguição oficial de Roma contra o cristianismo. Jorge teria se prostrado contra e se convertido ao cristianismo. No dia 23 de abril do ano 303, o imperador teria decretado sua morte.

A devoção que temos a Jorge é herança portuguesa, a qual, por sua vez, foi recebida dos ingleses – que o tinham por padroeiro. Uma das histórias mais conhecidas é a de sua luta contra um dragão. Dizem que, para aclamar a fome da fera, os moradores de uma região ofereciam duas ovelhas, que ele devorava por inteiro. Certa vez, o monstro tornou-se mais exigente e pediu a filha do rei como sacrifício. Jorge intercedeu e venceu a criatura.

Ferido, o dragão buscou refúgio na Lua. Jorge o perseguiu com seu cavalo, e as crateras que vemos no satélite terrestre são as marcas dos cascos do alazão.

ESPADA DE SÃO JORGE

Tipo: Saberes

Habilidade:
Quando uma de suas cartas for ser enviada para o Beleléu, mande esta no lugar dela. No caso de resultado de Desafios, ela substitui a com menos PVs.

Efeito: Proteção

Citação: "Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge..."

Artista: Bruno Brunelli

Carta de Espada de São Jorge. Com ilustração de duas folhas de espada de São Jorge cruzadas. No fundo, um circulo branco com um corpo serpente ao redor.

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Fontes

– BORGES, Adão. Usos, significados e conservação da planta Espada-de-São-Jorge na comunidade quilombola Benevides/PA. Revista Relegens Thrésketa, v. 9, n. 2, 2020, p. 270-283.
– CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. São Paulo: Global, 2002.
– ROCHA, Marlúcia Mendes da. Ogum. Revista KÀWÉ, n. 2, 2001, p. 14-16.

Estouro de Judas

Ilustração em tons de cinza mostrando um boneco de Estouro de Judas que consiste em um boneco de um homem segurando um saco amarrado explodindo, atrás dele uma criatura demoniaca com asas, chifres, dentes e garras afiadas
Arte de:

ESTOURO DE JUDAS

Relatório

Estourar o Judas é uma variação da prática tradicional da Malhação de Judas praticada. A prática consiste na construção de um boneco de palha ou pano, que faz referência ao apóstolo traidor de Jesus, Judas Iscariotes. O boneco é, então, castigado de inúmeras formas pela população: pode ser malhado (ou seja, espancado), queimado e, em Itu/SP, estourado.

A prática é típica da Península Ibérica e se espalhou com a colonização por toda a América Latina. A tradição ocorre especialmente durante a Semana Santa, no Sábado de Aleluia – que é aquele que antecede a Páscoa. Este é um dia que a cultura popular católica consolidou como o da expiação de pecados, e o boneco de Judas vai congregar todos os da comunidade. Tanto que, a título de provocação, era comum que um bairro roubasse o Judas do rival; como que para manter o povo do local sem sua válvula de escape.

Uma prática que se sustenta desde o período colonial é que o Judas a ser punido receba atualizações de comentários sociais do momento. À época, costumava-se fazer uma efigie do Imperador – a ser malhada com varas de pau e pedradas. Hoje, há Judas representando políticos, ministros de estado, personas-non-gratas e até mesmo jogadores de futebol com mau desempenho.

Hoje, o uso de pirotecnia é uma peculiaridade de Itu. Na cidade, uma sequência de bombas é estourada, culminando na queda de um diabinho cheio de pólvora nas costas do boneco apóstolo. A explosão, assim, é celebrada por todo o público. No Rio de Janeiro oitocentista, no entanto, Câmara Cascudo nos lembra que os Judas tinham fogos no ventre e apareciam conjugados com demônios, “ardendo todos numa apoteose policolor”.

ESTOURO DE JUDAS

Tipo: Desafio

Elemento

Habilidade:

Efeito: 

Citação:

Artista: Samuel Sajo

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Fontes

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Feijoada

Ilustração em tom rosa, mostrando um homem de camisa regata amarela e uma mascará de bate-bola erguida na cabeça. Ele está enchendo um prato com feijoada. Ele segura um prato com uma mão e uma concha com a outra, várias panelas com ingredientes da feijoada em cima de uma bancada.
Arte de: Mayara Lista

FEIJOADA

Relatório

Mais do que um prato, a feijoada é cultura! O feijão com embutidos, pedaços de porco, é apenas um fragmento da tradição. A verdadeira feijoada completa tem como acompanhamento não apenas o arroz, a couve e o torresminho. O prato é acompanhado da reunião para o preparar e servir; marca de um momento especial para a família e os amigos.

Existem duas desinformações correntes quanto a este prato típico. O primeiro diz que a feijoada é resultado da culinária das senzalas, uma vez que – segundo esta versão – os ricos ficavam com as partes nobres do porco, enquanto os miúdos eram destinados aos negros escravizados. Isso não é verdade. A alimentação fundamental nas senzalas era feijão com farinha. Carne-seca, quando muito.

Miúdos, de todos os tipos, são amplamente aproveitados pela culinária portuguesa como iguaria. Não é sem motivo que no livro de receitas “Cozinheiro Nacional”, de 1860, encontramos iguarias como o pudim de orelhas de porco, preparado com 20 unidades dos pertences suínos.

A segunda desinformação que passou a circular com frequência é de que a feijoada não seria um prato típico brasileiro. Os advogados desta versão dizem que, “na verdade”, já existiam outros pratos compostos por feijões (ou favas) com carnes e miúdos. Fala-se, por exemplo, do cassoulet francês (feito com feijões-brancos, cenoura e frango) ou da fabada asturiana.

Esta interpretação também está incorreta e é centrada numa falsa ideia de que só existe uma cultura “verdadeira”, e as demais são variações menores. Em verdade, historiadores apontam que o feijão já era amplamente utilizado na Europa desde a Idade Média – mas era um feijão diferente, o faséolo, que era branco com um “olho” preto. Com as expansões coloniais, outros grãos foram se espalhando pelo mundo, transformando os pratos a partir das conjunções irrepetíveis de cada região.

A feijoada é uma criação brasileira, inspirada pelos costumes portugueses. O hábito de comer cozidos, utilizar carne-seca, louro, e de refogar alho e cebola é uma herança lusitana. Dos indígenas, temos o consumo de feijão com farinha de mandioca, dois ingredientes de fácil transporte, que foram popularizados com a colonização. A junção dos hábitos forma um prato único.

Câmara Cascudo aponta que é no século XVIII que o arroz começa a substituir a farinha de mandioca como refeição principal, criando o binômio “arroz com feijão”. Sendo a feijoada uma evolução do feijão do dia a dia, ela ganha ares de familiaridade, mas com a distinção da festa, do momento especial. Feijoada é comida, mas é encontro, modo de fazer e de experienciar.

Curioso é ver, também, as formas como a nossa feijoada inspirou outros pratos. Em alguns países africanos, como o Benin, é conhecida a “féchouada”, um cozido de carne com molho de tomate, feijões-brancos e leguminosas. A influência é inegável, mas o prato continua sendo típico para estes países.

FEIJOADA

Tipo: Saberes

Habilidade:
Seu oponente está fazendo o quilo e não poderá enfrentar o Desafio por um turno.

Efeito: Pausa

Citação: "O filho da Dona Maria comeu feijoada e foi brincar na piscina. Já viu, né? Tadinho…"

Artista: Mayara Lista

Carta de Feijoada. Com ilustração em tom rosa, mostrando um homem de camisa regata amarela e uma mascará de bate-bola erguida na cabeça. Ele está enchendo um prato com feijoada. Ele segura um prato com uma mão e uma concha com a outra, várias panelas com ingredientes da feijoada em cima de uma bancada.

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Fontes

– BITELLI, Fábio; JUREMA, Maria Luiza. Feijoada: origem e considerações acerca de um patrimônio cultural imaterial. Comportamento, Cultura e Sociedade, v. 7, n. 1, 2019, p. 20-35.
– CASCUDO, Luís da Câmara. História da Alimentação no Brasil. São Paulo: Global, 2023.
– MACIEL, Maria Eunice. Uma cozinha à brasileira. Estudos Históricos, v. 1, n. 33, 2004, p. 25-39.

Figa de Guiné

A ilustração mostra uma figura central cercada por um cenário natural, em um ambiente de mata. A figura é representada com traços marcantes, segurando um objeto semelhante a uma "figa de guiné", que parece emanar uma energia ou chama. O uso de linhas intensas e dinâmicas dá uma sensação de movimento e espiritualidade. Ao fundo, há uma construção rústica, como uma casa de pau a pique, reforçando o vínculo com a simplicidade e a ancestralidade.
Arte de: Natanael Souza

FIGA DE GUINÉ

Relatório

Quem me vinga da mandinga é a figa de guiné
Mas o de fé do meu axé não vou dizer quem é
– Figa de Guiné, 1972
Nei Lopes e Reginaldo Bessa

A figa é um símbolo de proteção tradicional, que pode ser manifestado com um gesto de mão ou ainda carregado na forma de um amuleto. Ela é representada por uma mão fechada, com o polegar disposto entre os dedos indicador e médio. A tradição chega até nós pelos portugueses, mas é muito mais antiga. Dataria da época dos romanos, onde a manofico (mão em figa) é tida como uma representação da genitália feminina.

O folclorista português Leite de Vasconcellos reflete: “para repelir da gente, dos animais, e de tudo, a ação nefasta que se julgava produzida por certas pessoas e por imaginários espíritos da Natureza, costumavam os antigos apresentar-lhes hostilmente coisas tidas como pudendas, os emblemas de um e outro sexo, ou a própria realidade”.

Existem lastros dessa prática até na mitologia. O deus da fertilidade, Príapo, filho de Afrodite, era representado com frequência em imagens e amuletos de proteção – sempre com um pênis gigantesco ereto.

Além de proteção, fazer o sinal da figa pode também representar uma ofensa. O mesmo acontece com o sinal do dedo médio cruzado sobre o indicador. Afinal, outra interpretação para o gesto é de uma metonímia do sexo com penetração. Na Divina Comédia, Dante se depara no canto XXV com um ladrão que, diante de seu destino trágico, aponta para cima com as duas mãos em figas e desafia: “Toma, ó Deus, o que eu te mando!”

O nome, figa, é uma derivação do latim “ficus”, já que se usava o tronco da figueira para sua confecção. No entanto, vários outros materiais podem ser utilizados. No Brasil, é bastante comum a figa feita de Pau de Guiné (petiveria alliacea), arrancada numa Sexta-feira da Paixão e esculpida com uma faca virgem. Existem também figas feitas com arruda, com coral, osso, madrepérola, prata e ouro.

Como acontece com muitos amuletos semelhantes, dizem que a melhor figa é a que se ganha de presente, não a que se compra.

FIGA DE GUINÉ

Tipo: Saberes

Elemento

Habilidade:

Efeito: 

Citação:

Artista: Natanael Souza

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Fontes

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