CONHEÇA TODAS AS CARTAS
Na tradição popular, a igreja costuma cumprir um papel muito mais importante do que o da realização das missas. Seu próprio espaço físico é responsável pela contenção das maldades do mundo, como percebemos em uma lenda bastante difundida pelo país: a da serpente adormecida.
A narrativa fala de uma cobra com proporções imensas que dorme logo abaixo da cidade. Com frequência, para demonstrar seu tamanho descomunal, dizem que sua cabeça fica nas terras da igreja matriz enquanto a cauda em um lugar muito mais distante – um parque, um marco no terreno, um cemitério ou edifício igualmente importante.
Flávio Pereira Costa Junior, refletindo sobre o lendário de São Luiz, pondera que o “embaixo da terra” onde fica a serpente remete ao submundo, ao inferno. Serpente, claro, carrega o imaginário do próprio diabo cristão, aquele que tentou os seres humanos a violar as leis de Deus.
A igreja, por sua vez, seria a manifestação física da influência de Jesus. Posicionar a serpente com a cabeça logo abaixo dela é uma referência simbólica ao controle dos pensamentos maldosos.
Uma das mais conhecidas destas serpentes é justamente a que circunda a ilha de São Luís do Maranhão. Em uma de suas versões, diz a lenda que o dia que esta cobra crescer o suficiente para que sua cauda lhe alcance a cabeça, ela irá abraçar a terra e, numa demonstração de força estupenda, destruir toda a cidade.
Mas mesmo dentro do próprio estado do Maranhão existem outras lendas de serpentes. Jornar Moraes registra, por exemplo, a Serpente de Viana que está com a cabeça embaixo da igreja matriz e a cauda no morro do Mororoca. Dizem que sempre que se tenta construir uma nova capela por ali, o rabo da cobra se mexe e a construção vai por terra.
Outra também no Maranhão é a Serpente de São João Batista, que tem a cauda no Lago do Coqueiro e a cabeça também debaixo da igreja matriz. No entanto, mesmo sem sair do lugar, ela é capaz de utilizar poderes magnéticos para atrair aves, peixes e outros animais para si. Com capacidade inclusive de desviar pescadores de suas rotas.
De Sul a Norte encontramos narrativas das mais variadas sobre serpentes adormecidas pelo Brasil. Em Mato Grosso do Sul, a cobra não está presa pela igreja, mas foi um religioso que a prendeu. Conta-se que em Bonito, na década de 1930, um monge mudo chamado Sinhozinho esteve na região realizando grandes milagres. Um dos seus mais notórios foi a derrota de uma enorme serpente que permanece no subterrâneo do que hoje é chamado Morro da Cobra.
Para mantê-la presa, Sinhozinho mandou erguer três cruzes de madeira que ele abençoou nas voltas do morro. O dia em que a última cruz cair, a serpente despertará e será o fim de Bonito. Atualmente, resta apenas uma – que permanece escorada, por via das dúvidas.
SERPENTE ADORMECIDA
Tipo: Desafio
Elemento: Firmeza
"Shhhh! Silêncio... Se ela acordar, toda a cidade vem abaixo!"
Condição de Vitória:
Some 17 ou mais PVs do seu lado do campo. Quando o valor for atingido, todas as suas cartas em campo vão para o Beleléu.
Efeito:
Esta carta não tem efeitos adicionais.
Artista: Rafael Limaverde
– COSTA JUNIOR, Flávio Pereira. Entre Lendas e História: Narrativas que Representam a Identidade de São Luís. Curitiba: Appris, 2020
– MORAES, Jomar. O rei touro e outras lendas maranhenses. São Luís: Sioge, 1980
“Siga o Mestre” é uma brincadeira popular que geralmente é praticada em grupos, especialmente por crianças. O jogo envolve um líder (o “Mestre”) que guia o grupo através de uma série de movimentos ou ações. Ele pode pular em um pé só, fazer caretas, dar piruetas, e assim por diante. o objetivo dos participantes é imitá-lo da melhor maneira possível. Para tornar tudo mais difícil, o mestre costuma ainda alterar as instruções rapidamente, pegando os jogadores de surpresa.
Variações de brincadeiras que envolvem um mestre são muito comuns. Uma das mais notórias é a Vivo ou Morto, em que se comanda os participantes a ficarem de pé (vivos) ou agachados (mortos). Há ainda a Boca de Forno, em que um “senhor” dá instruções de um objeto que os participantes devem achar. Quem achar primeiro vence. A brincadeira se desdobra com a seguinte evocação:
Senhor: – Boca de Forno!
Crianças: – Forno.
Senhor: – Faz o que eu mandar?
Crianças: – Faço.
Senhor: – Se não fizer?
Crianças: – Paga uma prenda.
SIGA O MESTRE
Tipo: Desafio
Elemento:
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista: Rodrigo Cândido
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Poucas coisas representam mais a intimidade de um lar do que a sua vassoura. Não é sem motivo que este objeto tenha despertado inspiração para tantas crenças e superstições por parte do povo. Uma das mais notórias, com certeza, é a simpatia para expulsar visitas.
Quando alguém se demora muito em seu lar, estratégia mais do que conhecida é colocar a vassoura atrás da porta, para garantir que a visita seja varrida para fora. Mas detalhe: com o cabo para baixo e as palhas para cima. Do contrário, não vai funcionar.
No entanto, o oposto também é válido. Em “Superstições do Brasil”, Luís da Câmara Cascudo recupera narrativas da Roma Antiga, em que, para manter os faunos longe de casa, o povo acendia as luzes e deixava uma vassoura escorada logo atrás da porta de entrada. Só tenha cuidado com a posição: vassoura deitada, desgraça chamada.
Dizem que não se deve emprestar a vassoura, sob o risco de ela carregar a felicidade de uma casa para a outra. Da mesma maneira, casa nova exige vassoura nova; portanto, para evitar carregar lembranças ruins ao lar renovado, é melhor deixar a antiga para trás.
Fala-se bastante das simpatias ligadas ao ato de varrer. Não se varrem os pés de uma pessoa, pois isso vai fazer com que ela nunca se case. Também era costume não varrer a casa durante a noite, para não incomodar as almas. Quem varria a casa à noite, fazia-o com a ajuda do Diabo. Varrer ritualisticamente, no entanto, é uma forma de expulsar os maus espíritos e limpar a casa de suas influências.
A vassoura também está ligada ao ato de agregar. Percebemos isso especialmente entre os imigrantes alemães no Brasil, que mantêm a cultura do “quebra-louças”. Neste ritual, as louças são quebradas estrondosamente, para espantar os espíritos poltergeists. Na oração do quebra-louças, diz-se: “Assim como esta louça é quebrada, e vocês tentam juntar os pedaços, assim vocês vão juntar o dinheiro na vossa propriedade”. É com a vassoura que se reúnem os cacos que vão representar o esforço de união da família.
Vassoura também é o objeto que a cultura pop deixou notória como meio de transporte utilizado pelas bruxas, para voarem noite afora. O lastro dessa imagem é o folclore. Feiticeiras famosas, como a Befana, dos italianos, usam o objeto para voar e distribuir presentes às crianças boas e carvão para as ruins.
SIMPATIA DA VASSOURA
Tipo: Saberes
Habilidade:
Espanta visita. Retorne todas as cartas Gente, de um oponente, para a sua Mão.
Efeito: Retorno
Citação: "Já varri os pés, já botei atrás da porta. Vou ter que bater nela com a vassoura, agora?"
Artista: André Vazzios
– BAHIA, Joana. O tiro da bruxa: identidade, magia e religião na imigração alemã. Rio de Janeiro: Garamond, 2011.
– CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. São Paulo: Global, 2002.
– CASCUDO, Luís da Câmara. Coisas que o povo diz. São Paulo: Global, 2009.
– CASCUDO, Luís da Câmara. Superstição no Brasil. São Paulo: Global, 2015.
Essa é uma das mais famosas histórias de Pedro Malasartes, personagem dos contos populares ibéricos que ganhou igual fama de mestre da esperteza no Brasil.
Dizem que certa vez, Pedro ouviu falar de uma velha avarenta que morava em um sítio próximo. Os moradores locais contavam histórias sobre sua avareza, afirmando que ela não alimentava nem os cachorros. Intrigado, Pedro apostou com os moradores que conseguiria que a velha lhe desse uma porção de coisas.
Chegando lá, Pedro arrumou seu acampamento próximo à porteira do sítio, e começou a cozinhar água em uma panela. O dia inteiro, ele fervia a água, enquanto a velha, intrigada, observava de longe.
No dia seguinte, repetiu o processo: panela no fogo, água fervendo, fumaça subindo. A velha, cada vez mais curiosa, não resistiu e se aproximou para ver o que Pedro estava fazendo. Nesse momento, ele pegou algumas pedras do chão, lavou-as e jogou na panela.
Surpresa, a velha perguntou se ele estava cozinhando pedras, e Pedro respondeu que estava preparando uma sopa. A velha, inicialmente desconfiada, começou a ficar intrigada. Pedro continuou atiçando o fogo e sugeriu que a sopa ficaria ainda melhor com alguns temperos.
Foi então que a avidez falou mais alto. Com uma sopa que leva apenas água e pedra, ela economizaria muito para alimentar os empregados! Passou a ajudar Pedro, dando a ele todos os ingredientes que queria, em troca da receita.
Assim a sopa foi cozida com água, pedra, mas também cebolas, cenouras, batatas, carne, linguiça de fumeiro e muito mais. Pedro encheu o prato de tudo, exceto as pedras, e deliciou-se. Logo depois a velha foi provar, serviu-se da pedra e mordeu com tanta força que partiu os próprios dentes.
A sopa de pedra é também um prato típico da culinária portuguesa. Trata-se de um prato com feijão vermelho, favas, embutidos, couve, batata e cenoura. Na tradição, coloca-se uma pedra bem lavada no fundo da panela e, depois de comida a sopa, guarda-se a pedra para a próxima refeição.
SOPA DE PEDRA
Tipo: Desafio
Elemento:
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista: Stuart Marcelo
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Oi, mexe, mexe menina, pode mexer sem parar
Você agora é a minha garota do tacacá
Rala, rala a mandioca, espreme no tipiti
Separa a tapioca, apara o tucupi
Prepara meu tacacá, gostoso como açaí
– Trecho de “Garota do Tacacá”, de Pinduca
Uma sopa ou um caldo? Come-se ou bebe-se? O tacacá é um prato típico da culinária amazonense que vem fascinando os intérpretes ao longo dos séculos. Da forma como o conhecemos hoje, trata-se de um preparado servido na cuia, onde se dispõe pimenta, tucupi, goma de tapioca, folhas de jambu e camarão seco – com uma nova conchada de tucupi para cobrir os ingredientes.
O prato é de origem indígena, e há variações da receita hoje tida como tradicional – especialmente ao utilizar peixe no lugar do camarão. Segundo José Veríssimo, em um artigo publicado no fim do século XIX, a palavra “tacacá” parece ser uma corruptela do termo tupi Mbae Tykycú, que significaria “coisa para beber aos tragos”. Seria por isso que a tradição institui que se sirva o prato em cuias ou tigelas.
Apesar da forte marcação indígena, alguns pesquisadores chamam atenção para a importância de compreender o tacacá também como um processo de diálogos entre culturas. Afinal, o uso do alho (em que se tempera o tucupi) é uma referência da culinária ibérica. O camarão seco, introduzido depois à receita, carrega influência africana.
O tucupi e a goma são produtos bastante presentes na culinária dos povos originários, já que ambos são subprodutos da mandioca, raiz largamente utilizada pelos indígenas brasileiros. Sobre a mandioca, é comum que ela seja dividida em dois grandes grupos, a partir da quantidade de ácido cianídrico que contém. As com baixo nível são conhecidas como mandiocas-mansas ou doces (como a macaxeira, aipim etc). Já as com alto nível, tornando-se venenosas, são as mandiocas-bravas ou amargas.
Para que se retire o “veneno”, é preciso preparar o alimento de maneira adequada. Tradicionalmente, a mandioca-brava, ralada, é depois prensada em um tipiti (espécie de espremedor feito de palha). A massa seca vai virar farinha; e o líquido que escorre dessa prensa é a manipuera, a qual ainda é venenosa. Dela, extrai-se o precipitado (a goma de tapioca), e o restante do líquido, após fermentar por 24 ou 48 horas, torna-se o tucupi.
Para terminar de tirar a substância venenosa, o tucupi é fervido e temperado com sal, alho e ervas, como a chicória-do-pará e a alfavaca. As folhas, que dão origem à maniçoba, devem ser cozidas por pelo menos quatro dias – embora o povo costume dizer que são sete.
Por fim, vale mencionar também a cuia em que o tacacá é servido, que passa, ela própria, por um modo de fazer tradicional. O artefato é produzido a partir dos frutos da cuieira, chamada, ainda, de “coité” (Crescentia cujete). A planta dá frutos arredondados, diferentemente do porongo ou da cabaça, da Lagenaria siceraria, que serve de matéria-prima para as cuias de chimarrão e tem um pescoço mais alongado. Além disso, o coité serve para a produção de berimbaus.
A fruta madura da cuieira é partida em duas; depois, retira-se a polpa. Com a casca verde retirada, a peça fica bem clarinha. Após ficar seca ao sol, ela já pode ser utilizada, e é assim chamada de cuia pitinga (sem pigmento). As de tacacá, no entanto, são de um preto vívido. Como isso é feito?
O processo prossegue com o uso de cumaté – a resina do cumatezeiro (Myrciam Atramentifera) –, que serve de verniz natural e envermelhece as peças. Em seguida, as cuias são colocadas em uma cama (ou puçanga), em cima de uma camada de cinzas, sobre a qual se borrifa urina humana. Assim, elas serão abafadas com um pano ou lona, por 12 horas, virando-se na metade do tempo, saindo de lá finalizadas. O processo é uma forma natural de extração de amônia (presente na urina), produto necessário para a fixação do cumaté.
TACACÁ
Tipo: Saberes
Habilidade:
Escolha uma carta Gente, do seu lado do campo. Até o fim do turno, esta carta valerá por duas, ao enfrentar qualquer Desafio. A carta vai para o Beleléu depois disso.
Efeito: Parceria
Citação: "O meu, com pouca goma e bastante tucupi, por favor."
Artista: Levi Gama
– CARVALHO, Luciana Gonçalves. O artesanato de cuias em perspectiva – Santarém. Rio de Janeiro: Iphan, CNFCP, 2011, 192 p.
– Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional [Iphan]. Modos de Fazer: Cuias no Baixo Amazonas. 2006, 17 min.
– ROBERT, Pascale; VAN VELTHEM, Lucia. A hora do tacacá. Consumo e valorização de alimentos tradicionais amazônicos em um centro urbano (Belém – Pará). Anthropology of food, S6, December, 2009, p. 1-13.
– VERÍSSIMO, José. A Linguagem Popular Amazônica. Revista Amazônica. 1º ano, tomo I, n. 4, janeiro e fevereiro, 1883, p. 138.
Quando nós saímos do norte
Foi pra no mundo mostrar
Como canta aqui nesta terra
Um bando de tangarás
– Vamo falla do norte
Almirante e Braguinha
O mito de origem deste pássaro, notório pelos belos movimentos que faz para impressionar a fêmea, remete ao folclore católico. Dizem que os primeiros tangarás dançarinos (Chiroxiphia Caudata) foram a família dos filhos de um fazendeiro chamado Chico Santos.
Os membros da família eram conhecidos por sua paixão pela dança, chegando a interromper o trabalho nas plantações para fandangear. No entanto, existe hora e momento certo para tudo: tempo de brincar e tempo de se recolher. E nas comunidades de influência católica, especialmente nos tempos antigos, a quaresma era justamente este momento de reclusão.
A tradição diz que, em consternação pelo sofrimento de Jesus, os devotos devem cumprir uma série de penitências. Elas vão desde o jejum de carne bovina até coisas mais frugais, como não dar risada e, é claro, não dançar. Afinal, se Cristo estavas sofrendo, brincar e festejar era entendido como uma ofensa direta.
Todas estas proibições ficam ainda mais intensas em um momento: a Semana Santa. A semana que antecede a Páscoa e, com ela, a ressureição. Só que isso nunca impediu a família de Chico Santos, que sempre dançaram e fandangueram como nunca. Mesmo com a tradição ameaçando de que os que rompem o interdito se transformariam em monstros, cresceriam rabo de burro e outras promessas semelhantes.
Certa vez, no entanto, o castigo veio. Deus enviou uma epidemia de varíola, conhecida no popular como “bexiga”. Um a um, os parentes foram morrendo. E logo depois, aparecia um passarinho novo no entorno da casa; um pássaro azul e preto, com uma coroa vermelha, que dança desesperadamente para chamar a atenção da fêmea.
Inspirado pela narrativa, o grupo Bando de Tangarás foi criado em 1929 no Rio de Janeiro. O conjunto tinha entre seus componentes aqueles que viriam a ser grandes nomes para a música popular brasileira, como Almirante, Braguinha (João de Barro) e Noel Rosa.
TANGARÁ DANÇARINO
Pontos de Força:
Pontos de Vida:
Tipo:
Elemento: Vento
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista: Ju Loyola
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Uma das mais conhecidas simpatias para localizar objetos perdidos na cultura popular brasileira é a de São Longuinho. Ao custo de três pulinhos (ou mais, vai do acordo estabelecido) a pessoa pede a intercessão do santo. Em outras versões, são três gritinhos, o que parece ser uma mera derivação. Mas de onde vem esta tradição?
Primeiro um pouco sobre São Longuinho. Longinus teria sido o soldado que, para confirmar a morte de Jesus, gravou uma lança em seu peito, de onde escorreu água e sangue. Na Lenda Dourada, o livro medieval de hagiografias (as biografias dos santos) conta-se que Longinus teria um olho ruim, e que recebeu respingos do sangue divino. Passou então a enxergar perfeitamente e largou o exército de Pilates, se convertendo ao cristianismo.
Ver com perfeição após receber o sangue de cristo é metáfora e símbolo direto de um caminho de retidão e clareza que passou a ser seguido. Por isso aqueles que desmerecem a história dizendo que “se fosse cego, jamais ele seria soldado” não entenderam do que a narrativa realmente fala.
Um outro detalhe sobre o corpo do santo que ganhou coro na cultura popular diz que ele seria manco de uma perna. Ou que realmente não tinha uma das pernas! E daí que se deriva a simpatia – um ato mágico baseado na correlação física entre o praticante e quem sofre o efeito. Para encontrar o que foi perdido, homenageamos o santo sem perna pulando em um pé só! O três também trás toda uma relação: sejam os três condenados que morreram na cruz, seja a própria santíssima trindade. Por isso muita estátua do santo tem apenas uma perna.
No Brasil, a única igreja dedicada a São Longuinho é a capela de “Nossa Senhora da Escada”, no município de Guararema. A festa de São Longuinho acontece no dia 15 de março.
TRÊS PULINHOS
Tipo: Saberes
Elemento:
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista: Nobitz
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Uirapuru ou Irapuru é o nome que se dá a uma série de pássaros diferentes. Temos Uirapurus-Vermelhos, Uirapurus-Veados, Uirapurus-de-Peito-Branco e mais uma infinidade de outros tipos. Todavia, aquele que é tido como o Uirapuru-Verdadeiro tem como nome científico Cyphorhinus arada; um passarinho marrom-acastanhado, com corpo pardacento. Estrias brancas cruzam seu pescoço e descem pelas asas. As lendas e narrativas que atravessam este pássaro, no entanto, podem facilmente transbordar para todos os que carregam seu nome.
O próprio Câmara Cascudo conta, em seu “Dicionário do Folclore Brasileiro”, que nunca havia ouvido o canto do Uirapuru, e que a ave, a qual normalmente indicavam como sendo o famoso animal, era um “tyrannus de cor acinzentada e preta”. Como uma Tesourinha ou um Suiriri. Teria sido mesmo um Uirapuru?
Dizem que seu canto é mágico. Tão belo, que todas as aves se silenciam para escutá-lo. Essa canção misteriosa só se faz ouvir por 15 ou 20 dias no ano, durante sua época de acasalamento, que dura entre setembro e outubro. A primeira gravação desta vocalização foi feita em 1962, no Acre, pelo ornitólogo Johan Dalgas Frisch. A gravação foi publicada no disco Vozes da Amazônia, que continha, ainda, cantos de outros pássaros, vocalizações de porcos-do-mato, ariranhas, guaribas e outros bichos.
No passado, era comum que o corpinho do Uirapuru, preparado, fosse utilizado como amuleto. Algo que, hoje, devido à restrição das leis ambientais, desapareceu. Cascudo, mesmo, conta ter encontrado muitos pássaros distintos tornados amuletos, mas tão sujos de carajuru e cunauaru, que não os reconhecia.
Carajuru ou Crajiru (Arrabidaea chica) é uma erva bastante utilizada na pajelança, especialmente para a defumação e para produção de um pó vermelho. Já o outro ingrediente é a resina de sapo-cunauaru, o chamado “breu branco”. Dá para imaginar o estado dos amuletos de então. Eles eram guardados no bolso e tinham funções distintas, de acordo com o uso para o qual foram preparados, mas sempre ligados à boa sorte. Outro costume antigo era enterrar o amuleto na soleira da porta do comércio para atrair mais clientes.
Ainda sobre soleiras, Cascudo registra que as penas da coruja, molhadas no próprio sangue e enterradas na porta ou no mourão da porteira, afugentavam fantasmas e anulavam bruxarias.
UIRAPURU
Pontos de Força: 2
Pontos de Vida: 2
Tipo: Visagem
Elemento: Vento
Habilidade:
Quando esta carta é invocada, nem você nem a outra pessoa podem enfrentar o Desafio por um turno.
Efeito: Pausa
Citação: "..."
Artista: André Vazzios
– CASCUDO, Luis da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. São Paulo: Global, 2002.
– CASCUDO, Luis da Câmara. Coisas que o povo diz. 2. ed. São Paulo: Global, 2009.
– OLIVEIRA, Roberto Gonçalves. As aves-símbolo dos estados brasileiros. Porto Alegre: Editora AGE, 2003.
Aquele que se aproxima da Mata da Pedra Branca, nas proximidades do município de Dois Córregos/SP, deve estar atento. Um passo em falso e pode se deparar com esta impressionante visagem. Dizem que ele aparenta ser um homem muito magro e muito alto, com quase dois metros de altura. Usa na cabeça um chapéu de palha puído e trapos de roupa já devorados pelo tempo. Quem olha com atenção, no entanto, percebe que o homem já não tem pele; apenas um couro grosso colado sobre os ossos. Nas suas mãos, unhas descomunais lhe garantem o nome pelo qual ficou conhecido: Unhudo.
Dizem que o Unhudo é uma variedade de Corpo-Seco, que é como são chamados os mortos que, ao cometerem um grande número de atos cruéis em vida, tem seu descanso eterno negado. Recusados pela terra, não conseguem nem ascender aos céus e nem afundar no inferno. Com o corpo semi decomposto, retornam ao nosso mundo para continuar a espalhar sua podridão.
O povo da cidade, nos primeiros registros escritos – coletados na década de 1970 – o descreviam como um monstro que vivia em uma caverna, à margem esquerda do Rio Tietê, na fronteira entre Mineiros e Dois Córregos. Quem tentasse colher as jabuticabas ou orquídeas que ali cresciam, sem autorização, sofriam a visita do morto-vivo que, com um único golpe, deixava a vítima desnorteada e incapaz de voltar para casa incólume.
Outros registros falam que ele se esconde atrás do tronco das árvores, e sempre que os peões de comitiva passavam levando o rebanho ele aboiava em resposta, assustando os que ali passavam. O Unhudo é capaz de falar, e o faz com uma voz rouca, reivindicando a posse do pomar. Aqueles que conseguiram atirar com suas garruchas no morto perceberam que as balas o atravessam sem maiores danos.
Uma versão da lenda sugere que o Unhudo teria nome e sobrenome. Ele seria a alma penada do major Cesário Ribeiro de Barros, um ilustre morador da cidade na primeira metade do século XX. Dizem que foi ele quem mandou plantar os pés de jabuticaba na região, e exige seu domínio sobre eles até hoje.
Major Cesário era um homem de posses. Morador da rua Tiradentes, nº 511, tinha em sua casa telhas importadas da França e portas da Inglaterra. Os negócios do major envolviam o empréstimo com juros altos para a população. Ao mesmo tempo, cometia atos de caridade, como a doação do terreno onde hoje fica a Santa Casa.
Diz-se que, após sua morte, seu corpo permaneceu intacto, resistindo à putrefação mesmo quando colocado no campanário da igreja matriz. A crença popular afirma que o espírito de uma pessoa falecida não teria paz enquanto o corpo não se deteriorasse, alimentando a ideia de que o Unhudo é a alma penada do major Cesário.
Após uma campanha midiática e de educação ambiental, o Unhudo é apresentado na cidade como um protetor da natureza, que exige respeito para com o ambiente. Algo que difere bastante de uma alma presa às próprias posses que exigiria, mesmo após a morte, domínio sobre o que a terra dá.
UNHUDO
Pontos de Força:
Pontos de Vida:
Tipo:
Elemento: Noite
Habilidade:
Efeito:
Citação:
Artista:Karl Felippe
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