Lobisomem Sarnento

Arte de: Mikael Quites

LOBISOMEM SARNENTO

Relatório

Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, a figura do lobisomem afasta-se da ideia clássica de punição moral para se fundir com a imagem do indivíduo profundamente doente, anêmico e amarelo. A crença sertaneja dita faz uma ligação direta entre a licantropia e doenças como o “amarelão” (ancilostomose) ou a “maleita” (paludismo). Na tradição, o lobisomem é essencialmente um homem “amarelo” e descorado que, carente de sangue para curar seu organismo exausto, é forçado a transformar-se em fera nas madrugadas para atacar e sugar as vítimas.

A fraqueza e a prostração física marcam o cotidiano desse ser em sua encarnação humana. Ele é descrito historicamente como um indivíduo “extremamente pálido, magro, macilento”, de saúde arruinada e que vive “permanentemente fatigado”. Em seu estado normal, caminha vagarosamente, com gestos de tédio, encolhimento e apatia, escondendo-se sob uma máscara de face “amarela e baça”. Além disso, demonstra um aspecto apático, recusando alimentos, bocejando muito e enjoando fácil.

Na sua forma animal, o lobisomem é visto como um bicho esganado, de cabeça baixa e olhar triste, que chega ao extremo do rebaixamento ao se alimentar de “bosta de galinha” ou de ossos de caranguejos. A associação do monstro com homens miseráveis, tuberculosos, velhos e cheios de tiques comprova que a lenda sertaneja identificou o lobisomem, acima de tudo, pela sua relação com o diferente. Como Outro adoecido que se torna monstrificado para a sociedade.

LOBISOMEM SARNENTO
Pontos de Força: 2
Pontos de Vida: 1

Tipo: Visagem
Elemento: Noite

Carta normal:
Sem nenhum efeito especial adicional, esta carta ajuda a manter o jogo em andamento.

Citação:“Passa! Passa pra lá seu nojento! Argh, não aguento esses vira-latas na minha frente”.

Artista: Mikael Quites

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Fontes

– CASCUDO, Luís da Câmara. Licantropia sertaneja. Imburana – revista do Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses, UFRN, n. 9, jan./jun. 2014.
– LIMA, Maria do Rosário de Souza Tavares. Lobisomem: assombração e realidade. São Paulo: Escola de Folclore, 1983.
– VASCONCELLOS, J. Leite de. Tradições populares de Portugal. Porto: Livraria Portoense de Clavel & Cia, 1882.

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