Ipupiara Menor

Arte de: Lorena Herrero

IPUPIARA

Relatório

O Ipupiara (também grafado como Igpupiara, Hipupiara ou Upupiara) é um dos mitos primitivos indígenas, conhecido como o “Senhor das Águas” ou “Homem Marinho”, que habitava as fontes, margens e barras dos rios doces. Ele era o inimigo mortal dos pescadores, mariscadores e lavandeiras, sendo descrito de forma horrenda e bestial: possuía uma estatura avantajada, corpo semeado de pelos, focinho com sedas semelhantes a grandes bigodes e olhos muito encovados.

Certas descrições feitas por cronistas apontam até anomalias monstruosas, como pés virados para trás ou o crescimento de uma terceira coxa saindo de seu peito. Sua ação limitava-se a atacar banhistas para afogá-los e devorá-los, possuindo a peculiaridade macabra de comer apenas os olhos e o nariz das vítimas.

Ao contrário das sereias ou da lenda moderna do Boto, ele era desprovido de qualquer feição encantadora, não cantava para seduzir os navegantes, não oferecia tesouros e não demonstrava absolutamente nenhum aspecto simpático ou romântico em sua natureza. Sua atuação restringia-se puramente à agressividade esfomeada e à ferocidade bruta, sendo destituído das habilidades mágicas de ilusão e conquista.

A maior de suas vulnerabilidades, porém, era a fragilidade física, pois os relatos apontam que o Ipupiara. Em São Vicente, no ano de 1564, o capitão Baltazar Ferreira matou um monstro desses de quinze palmos de comprimento utilizando apenas sua espada. A mortalidade da fera era tão evidente que o padre Simão de Vasconcelos encontrou grandes lapas costeiras repletas de ossadas e caveiras desses “homens-peixes”, as quais apresentavam apenas um buraco no toutiço por onde respiravam.

IPUPIARA
Pontos de Força:  2
Pontos de Vida:  1

Tipo:  Visagem

Elemento: Água

Carta Normal: Sem nenhum efeito especial adicional, esta carta ajuda a manter o jogo em andamento.

Citação: “A canoa virou… Quem deixou ela virar?”

Artista: Lorena Herrero

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Fontes

– Cascudo, Luís da Câmara. Geografia dos Mitos Brasileiros. São Paulo: Global, 2002.