Arte de: Mikael Quites
LOBISOMEM SARNENTO
Relatório
Apesar do seu nome, o lobisomem brasileiro tem muito pouco de “lobo”. Nossa tradição tem lastro ibérico, em que é comum encontrar histórias de lobisomens que se transformam em animais de fazenda. São híbridos de homem com cachorro, porco, bezerro, touro, jumento e assim por diante.
No país europeu, o lobisomem também é apenas uma das espécies de monstros híbridos, mas existem outras. O eixo em comum que os une é sua maldição, ou fado. Após a transformação, os seres devem correr por sete freguesias, sete praças, sete igrejas e sete cemitérios. Por vezes, o número não está presente, mas a sina desses amaldiçoados é correr pelos caminhos atacando e devorando. É por isso que é bastante comum o uso do termo “correr o fado” em Portugal, para se referir à maldição das criaturas. Ou, ainda, dizer que eles devem “cumprir um fadário”.
J. Vasconcellos, já em 1820, registrava as versões de que o lobisomem surgia a partir do nascimento do sétimo filho homem de uma família. Por derivação, às vezes, fala-se que é o oitavo filho (após o nascimento de sete irmãos).
Em outros relatos, também populares na época, dizem que a maldição surge quando o filho é resultado de relação entre compadre com comadre. Em raros casos, uma bruxa pode gerar espontaneamente um lobisomem usando palavras mágicas.
Maria do Rosário Tavares de Lima recolhe estas versões em Joanópolis − município a pouco mais de 100 km de São Paulo. Em seu livro “Lobisomem − Assombração e Realidade” (1983), que ajudou a transformar a cidade na Capital do Lobisomem, ela aponta que homem que fica 10 anos sem se confessar e comungar, ou sem pôr a mão na água benta, também corre o fado. O mesmo acontece com quem falta ao respeito com pais ou padrinhos.
O Lobisomem-Porco é das versões mais conhecidas desse amaldiçoado. Surge quando a pessoa que carrega a maldição se espoja (ou rola) em um local onde passaram um cachorro e um porco, assumindo as características dos dois animais. Com frequência, é descrito como sendo grande e macilento, como um urso, de rabo e orelhas curtas. Seu grande focinho está sempre fuçando e roncando por onde passa. O lobisomem é faminto, e é possível diferenciar um porco comum de um monstro, em sua forma inicial, devido à fome descomunal que ele demonstra.
LOBISOMEM SARNENTO
Pontos de Força: 2
Pontos de Vida: 1
Tipo: Visagem
Elemento: Noite
Carta normal:
Sem nenhum efeito especial adicional, esta carta ajuda a manter o jogo em andamento.
Citação:“Passa! Passa pra lá seu nojento! Argh, não aguento esses vira-latas na minha frente”.
Artista: Mikael Quites
Fontes
– CASCUDO, Luís da Câmara. Licantropia sertaneja. Imburana – revista do Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses, UFRN, n. 9, jan./jun. 2014.
– LIMA, Maria do Rosário de Souza Tavares. Lobisomem: assombração e realidade. São Paulo: Escola de Folclore, 1983.
– VASCONCELLOS, J. Leite de. Tradições populares de Portugal. Porto: Livraria Portoense de Clavel & Cia, 1882.