Folião de Carnaval

Arte de: André Vazzios

FOLIÃO DE CARNAVAL

Relatório

O folião de carnaval carioca, especialmente entre o final do século XIX e meados do século XX, era predominantemente oriundo das camadas populares, habitando áreas periféricas, cortiços, favelas e morros. **Apesar de serem frequentemente estigmatizados pelas elites e pelas autoridades policiais como “bárbaros”, “desordeiros” e “selvagens”, esses foliões não aceitavam passivamente a exclusão e a opressão**. Para eles, o carnaval não era um mero espetáculo ao qual assistiam como plateia, mas uma vivência plena em que eram os principais atores e sustentáculos da festa. Descendo de suas colinas e subúrbios em trens e bondes lotados, **esses trabalhadores e malandros ocupavam as ruas centrais da cidade, como a Praça Onze e a Rua do Ouvidor, impondo sua presença e sua cultura, marcadamente negra e mestiça, ao cenário público**.

A participação desses foliões era evidenciada por uma forte capacidade de organização alternativa, agrupando-se coletivamente em cordões, ranchos, blocos e, posteriormente, nas escolas de samba. **Utilizando-se do riso, do deboche e da paródia, o folião fazia do carnaval um instrumento de crítica social e de subversão das verdades e hierarquias oficiais**. Através de suas músicas, fantasias e atitudes irreverentes, eles escarneciam dos opressores, respondendo à discriminação cotidiana com criatividade e resistência. Paradoxalmente ao rótulo de promotores da desordem imputado pela cultura burguesa, os foliões mantinham um profundo sentido de hierarquia e disciplina dentro de suas agremiações carnavalescas, demonstrando que possuíam regras e um modelo de organização próprio.

O empenho dos foliões populares era imenso, dependendo de sua dedicação e habilidade artesanal para confeccionar os próprios instrumentos de percussão, como tamborins e pandeiros muitas vezes utilizando o couro de gatos das redondezas , além de produzirem suas próprias fantasias e adereços. Além do viés social, **a figura do folião encarnava a libertação das opressões morais da época, permitindo o desabrochar de uma intensa sensualidade e a transgressão de regras rígidas de comportamento, rompendo com os tabus sexuais ditados pela sociedade, fato especialmente libertador para as mulheres**. Nesses dias de folia, o corpo, a música, o riso e a dança fundiam-se em uma celebração que subvertia a ordem opressiva do dia a dia, garantindo a esses indivíduos, através de sua cultura, a construção de uma “cidadania cultural” e a afirmação de seu espaço na vida pública da cidade.

FOLIÃO DE CARNAVAL
Pontos de Força: 1
Pontos de Vida: 2

Tipo: Gente
Elemento: Fogo

Carta Normal:
Sem nenhum efeito especial adicional, esta carta ajuda a manter o jogo em andamento.

Citação: “Pra tudo se acabar na quarta-feira”.

Artista: André Vazzios

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Fontes

– SOIHET, Rachel. A Subversão pelo Riso: Estudos sobre o Carnaval Carioca, da Belle Époque ao Tempo de Vargas. Rio de Janeiro: Edufu, 2008.