Contador de Causos

Arte de: André Vazzios

CONTADOR DE HISTÓRIAS

Relatório

O contador de causos é a figura central da narrativa oral praticada na região pantaneira, sendo o responsável por resgatar e manter vivas as experiências do cotidiano e o universo mítico local. O ato de contar histórias consistia em um verdadeiro ritual que ocorria principalmente nos momentos de ócio, como nas rodas de tereré, nos galpões durante a sesta ou ao pé da fogueira após a lida com o gado. Nesses instantes, o contador tornava-se o centro das atenções. Era ele a fonte do entretenimento, com suas histórias fabulosas, em uma época em que o acesso aos meios midiáticos era limitado. Era também ele um líder de opinião, preenchendo a necessidade de informação dos peões e da vizinhança que se reunia ao seu redor para ouvi-lo.

A narração do causo exige do contador muito mais do que apenas a voz. Não é por acaso que se diz que muitos dos contadores “falam com as mãos”, gesticulando intensamente em seu palco imaginário. Em sua tese de doutorado, depois tornada livro, Ricardo Pieretti Câmara classifica os contadores pantaneiros em três categorias: os “Livres”, que não impõem limites à imaginação e narram absurdos com naturalidade; os “Moderados”, que flertam com o fantástico, mas buscam explicações plausíveis para manter a razão; e os “Reprodutores”, que mantêm um compromisso estrito com a realidade aparente e repassam a terceiros a autoria de eventos sobrenaturais para não parecerem mentirosos.

O repertório do contador de causos, muitas vezes, está baseado na superação do medo e na exaltação do heroísmo. O contador frequentemente se coloca, ou coloca outro companheiro, como o herói da história. Ele que enfrenta e vence obstáculos formidáveis, sejam eles feras ferozes, intempéries da natureza ou assombrações e entidades míticas. Embora a narração e o ambiente do causo pertençam predominantemente ao universo masculino das fazendas, a figura feminina exerce um papel fundamental de apoio na performance. As esposas e filhas dos contadores funcionam frequentemente como a “memória viva” destes homens, lembrando-os das melhores histórias e servindo como avalistas e fiadoras da veracidade de seus relatos perante o público.

Dentre os causos mais conhecidos no Pantanal, especialmente o da Nhecolândia, está o do Maozão. A história fala de um monstro protetor que sequestra ou enlouquece quem ousa entrar na mata sozinho. Ou então os de Sucuri, senhora das terras alagáveis, com contadores dizendo que já encontraram cobras com mais de mil metros capazes de engolir boiadas inteiras numa bocada só!

CONTADOR DE HISTÓRIAS
Pontos de Força: 1
Pontos de Vida: 2

Tipo: Gente
Elemento: Terra

Carta Normal:
Carta normal: Sem nenhum efeito especial adicional, esta carta ajuda a manter o jogo em andamento.

Citação: "O boi está morto. Viva o boi!"

Artista: André Vazzios

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Fontes

CÂMARA, Ricardo Pieretti. Os causos: uma poética pantaneira. 2007. Tese (Doutorado em Humanidades) – Departamento de Humanidades, Faculdade de Filosofia e Letras, Universidade Autônoma de Barcelona, Barcelona, 2007.